A voz de Bergoglio de volta às periferias de Buenos Aires

O Santo Padre concedeu uma entrevista à radio FM Bajo Flores, sediada perto do estádio do San Lorenzo

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 368 visitas

O Santo Padre concedeu uma entrevista à rádio comunitária FM Bajo Flores 88.1, cuja sede fica na Villa 1-11-14, um bairro popular situado em frente ao estádio do San Lorenzo, o time do papa. Durante a entrevista, gravada na Casa Santa Marta, Francisco fala de educação, trabalho e presença da Igreja nos bairros pobres.

"O trabalho dos padres ‘villeros’ [aqueles que trabalham nas “villas”, ou bairros pobres da Argentina, ndr] não é ideológico, mas apostólico; quem pensa que há duas Igrejas está enganado e não entende como se trabalha nas ‘villas’ em situação de emergência", afirma o papa na entrevista. Ele destaca também a importância dos meios de comunicação comunitários, "que fazem uma comunicação sólida, sem interesses, que comunica a realidade e a vida".

Sobre a educação, o Santo Padre afirma que "não se trata só de transmitir conceitos, mas de gerar novos afetos, compreender e viver os valores".

A entrevista falou dos padres vinculados ao Movimento de Sacerdotes para o Terceiro Mundo, como o padre Carlos Mujica, tachado de "comunista" e "subversivo", mas que rejeitou a luta armada quando outros a apoiavam. Foi assassinado em 1974, num caso até hoje não esclarecido. "Eles não eram comunistas. Eram grandes sacerdotes que lutavam pela vida", explica o papa. "Tentaram levar a palavra de Deus para uma pastoral com os marginalizados. São sacerdotes que escutavam o povo de Deus e lutavam pela justiça".

"Somos o primeiro meio de comunicação da Argentina para o qual Francisco concede uma entrevista e a primeira rádio comunitária do mundo que conversa com o papa. Para nós, é uma grande alegria e uma enorme responsabilidade, a de continuar trabalhando pela comunicação popular", declarou Eduardo Nájera, diretor da FM Bajo Flores, recordando que o cardeal Bergoglio "caminhava pelos becos e corredores das ‘villas’" e que, por isso, "é um orgulho que ele tenha nos escolhido como veículo para passar a sua mensagem e estar perto de nós. Desde que ele é papa, os católicos do mundo todo estão recebendo um novo oxigênio, um novo ar na Igreja. Francisco fala de temas que não imaginávamos que um papa pudesse tocar".

O padre Hernán Morelli, que oficiou com o pároco Gustavo Carrara a missa que precedeu a divulgação da entrevista, afirmou também que "sempre houve no bairro muito respeito e carinho pelo papa. As pessoas se lembram dele o tempo todo e reza por ele todos os dias".

"Este é um papa que eles conhecem desde antes! Muitos têm fotos com ele e compartilharam batismos e comunhões. Aqui existe uma sintonia afetiva, as pessoas estão contentes e têm muita esperança", afirmou Morelli.