Abade de São Paulo Fora dos Muros explica o que é ecumenismo espiritual

O Papa preside uma vigília na basílica papal

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Por Miriam Díez i Bosch

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 25 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- O Pe. Edmundo Power, abade da comunidade de São Paulo Fora dos Muros, considera que o «ecumenismo espiritual» consiste em «buscar juntos a vontade de Deus através da oração, do sacrifício e do serviço».

Entrevistado por ocasião da visita de Bento XVI à basílica de São Paulo Fora dos Muros nesta sexta-feira para o encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, o monge beneditino britânico reconhece que hoje existem muitos «desafios, ameaças e dificuldades para os cristãos» e vislumbra um «compromisso particular» para «definir melhor o que significa ser cristão em um mundo, especialmente no Ocidente, onde o cristianismo não se compreende bem» e onde é necessário que para «proclamar a mensagem de Cristo» os cristãos o façam juntos.

O abade, entrevistado na sala desde a qual se proclamou o Concílio Ecumênico Vaticano II, confessa que no começo, quando ouvia falar de «ecumenismo espiritual», pensava que era uma frase «um pouco pragmática» que se proclamava «por uma falta de progresso concreto na unidade». Como se tivesse constatado que «não é possível uma unidade verdadeira, então façamos uma unidade espiritual».

Mas depois compreendeu que «existe um sentido profundo do ecumenismo espiritual» que a seu parecer significa que «o que podemos fazer é buscar Cristo juntos».

«Tudo isso é primordial, mas ainda é mais importante ver que nenhuma união é possível se todos os que crêem em Cristo não estão profundamente enraizados na vida de Cristo.»

«Este é o ponto essencial de unidade, o elemento espiritual. Significa sublinhar isso e caminhar juntos para encontrar maneiras concretas, pragmáticas e cotidianas de viver juntos.»

O abade recorda que esta basílica, que acolhe em Roma a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos com vigílias conjuntas com outras confissões cristãs, é «uma basílica ecumênica».

Este caráter procede, em parte, da espiritualidade de seus monges: «A espiritualidade beneditina é uma espiritualidade da Igreja unida porque São Bento viveu antes das divisões da Igreja».

Portanto, «a espiritualidade de nossa vida monástica no Ocidente é a de São Bento, uma espiritualidade para todos os cristãos». Por este motivo, nosso estilo de vida combina muito bem com este compromisso pela unidade».

O Pe. Power afirma que a comunidade beneditina de São Paulo Fora dos Muros não é uma comunidade ecumênica propriamente dita, pois «não temos monges que não sejam católicos», mas «temos aqui o túmulo de São Paulo para acolher qualquer pessoa que vem e que busca Deus, em particular os cristãos, mas também outros».