Abertura à vida está no centro do verdadeiro desenvolvimento, diz arcebispo

Dom Walmor de Azevedo comenta ponto abordado na Caritas in Veritate

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BELO HORIZONTE, segunda-feira, 3 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, afirma que o desenvolvimento dos povos implica necessariamente o respeito pela vida.

Ao comentar esse ponto na encíclica Caritas in Veritate, em artigo enviado a Zenit na sexta-feira, Dom Walmor explica que “é indispensável” entender o desenvolvimento econômico, a sociedade civil e a fraternidade a partir de parâmetros e sistemas valorativos que estão para além do que simplesmente é a realidade da vida da sociedade, seus mecanismos.

“O desenvolvimento dos povos não pode ser desvinculado, no seu entendimento e nos seus andamentos, do que forma, ética, moral e religiosamente, o significado amplo e comprometedor do que é o respeito pela vida”, destaca.

Segundo o arcebispo, “não é apenas uma questão de salvação planetária”. “Há algo que está acima dos números das metas definidas pelas cúpulas e fóruns, embora, lamentavelmente, não tenham sido cumpridas”.

“Essas metas não são cumpridas por uma má vontade e por uma incapacidade de governos, instâncias e da sociedade em geral. Mas também pela pequenez de estatura que só conquista e tem aqueles que pautam sua conduta na força de valores que estão para além dos funcionamentos da natureza ou do estritamente gerencial e administrativo das responsabilidades governamentais, sociais e políticas.”

Dom Walmor considera que, quando se fala, por exemplo, de pobreza, põe-se o desafio de alargar os seus conceitos e entendimentos. Ele reconhece que, no cenário da pobreza mundial, a provocação das altas taxas de mortalidade infantil, em muitas regiões, se deve, sim, ao baixo nível econômico das populações.

“Mas, também, às práticas de controle demográfico, em várias partes do mundo, por parte de governos que muitas vezes, sublinha o Papa Bento XVI, difundem a contracepção e chegam mesmo a impor o aborto. Não são poucas, e por isso mesmo merecem atenção, as muitas legislações difusas e contrárias à vida, incluindo países economicamente mais desenvolvidos.”

Dessa forma –prossegue o arcebispo–, “por uma opção estreita de entendimento acerca da vida, essas legislações alavancam uma mentalidade antinatalista considerada, enganosamente, como progresso cultural”.

Dom Walmor lembra que o Papa não deixa de denunciar, na Carta Encíclica, que “há a fundada suspeita de que às vezes as próprias ajudas ao desenvolvimento sejam associadas com determinadas políticas sanitárias que realmente implicam imposição de um forte controle dos nascimentos. Igualmente preocupantes são as legislações que prevêem a eutanásia e as pressões de grupos nacionais e internacionais que reivindicam o seu reconhecimento jurídico”.

“É muito importante, portanto, que se compreenda que a abertura à vida está no centro do verdadeiro desenvolvimento. Isto significa dizer e entender que não se pode prescindir, na consideração do desenvolvimento, da referência a valores que estão acima e são maiores que a simples dissecação da realidade enquanto revela seus mecanismos perversos”, enfatiza o arcebispo de Belo Horizonte. 

“Pode-se correr o risco de constatar, saber, conhecer e explicar, sem contudo ter força para dar o passo novo e a conquista de um novo desenho do cenário contemporâneo.”

Dom Walmor cita então Bento XVI: “Quando uma sociedade começa a negar e suprimir a vida, acaba por deixar de encontrar motivações e energias necessárias para trabalhar a serviço do verdadeiro bem do homem”.