Abrir Pastoral da Juventude à Pastoral Familiar, pede Papa aos salesianos

Que celebram em Roma seu 26º Capítulo Geral

| 548 visitas

Por Marta Lago

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 31 de março de 2008 (ZENIT.org).- Como a família deve ter um papel ativo na educação dos jovens, é necessário abrir a pastoral juvenil à pastoral familiar, adverte o Papa aos salesianos.

Ponto de partida é a urgência de «alimentar no coração de cada salesiano» a «paixão apostólica», apontou Bento XVI ao receber nesta segunda-feira em audiência os participantes – que representam os quase 16 mil salesianos ativos em 129 países – do 29º Capítulo Geral que a congregação fundada por São João Bosco está celebrando em Roma.

O grande encontro salesiano se centra no lema de seu fundador, «Da mihi animas, cetera tolle» («Dai-me almas, ficai com o resto»), «síntese de um modelo de ação pastoral» cujo horizonte «é o primado absoluto do amor de Deus» que «molda personalidades ardentes, desejosas de contribuir com a missão de Cristo», traçou o Santo Padre.

Junto a este ardor, «outra característica do modelo salesiano é a consciência do valor inestimável das ‘almas’», uma «paixão apostólica» que «é urgente alimentar também hoje» no coração de cada membro da congregação, assinala.

Assim, o salesiano «terá o coração aberto para identificar as novas necessidades dos jovens e a escutar seu pedido de ajuda» – aponta –, especialmente dos «mais pobres, material e espiritualmente».

O Papa exorta os salesianos a ajudarem «antes de tudo os jovens a conhecer e amar» Jesus Cristo, «a deixar-se fascinar por Ele, a cultivar o compromisso evangelizador, a querer fazer o bem aos próprios amigos, a ser apóstolos de outros jovens».

Daí seu pedido à congregação: «Que vosso empenho seja formar leigos com coração apostólico, convidando todos a caminhar na santidade de vida, que faz amadurecer discípulos valentes e autênticos apóstolos».

Bento XVI é consciente de que estes desafios enfrentam um contexto de «grande emergência educativa», cujo «aspecto mais grave» é «a sensação de desalento que se apodera de muitos educadores, em especial de pais e professores».

Disso alertou em sua recente carta à diocese de Roma, que entregou aos salesianos, a quem reitera: «Na raiz da crise da educação existe de fato uma crise de confiança na vida, que no fundo não é senão desconfiança no Deus que nos chamou à vida».

E «na educação dos jovens é extremamente importante que a família seja um sujeito ativo» – insiste o Papa –, ainda que tantas vezes seja «incapaz de oferecer sua contribuição específica» ou inclusive está «ausente» nesta tarefa.

Por isso, «a predileção e o compromisso» tipicamente salesianso «a favor dos jovens» «devem ser traduzidos em um empenho igual pelo envolvimento e formação das famílias», pede o Santo Padre.

Portanto, vossa pastoral juvenil deve abrir-se decididamente à pastoral familiar» – indica aos religiosos –, certos de que a dedicação às famílias não exclui o esforço pelos jovens, mas o torna «mais duradouro e eficaz».

Estes desafios assinalam desta forma a necessidade de que a congregação salesiana assegure especialmente «uma só formação» que faça de seus membros pessoas «de fé sólida e profunda, de preparação cultural atualizada, de genuína sensibilidade humana e forte sentido pastoral», sintetiza Bento XVI.