Adoção por homossexuais: um "choque de civilizações"

Presidente do Conselho Pontifício para a Família apoia bispos franceses diante das declarações do presidente Hollande

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Giuseppe Brienza

ROMA, quarta-feira, 29 de agosto de 2012 (ZENIT.org) - A rejeição do casamento entre pessoas do mesmo sexo não é, como recentemente sancionou o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, uma violação das leis de combate à discriminação.

No início deste ano, o Tribunal de Luxemburgo, que tutela o cumprimento da CEDH, Convenção para a Proteção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais, de 1950, se expressou assim ao tratar do caso de duas lésbicas francesas, que, unidas como casal mediante o chamado Pacto de Solidariedade Civil (PACS), denunciaram os impedimentos que enfrentam em seu país para adotar uma criança.

O Tribunal de Justiça da União Europeia, sediado em Estrasburgo, sancionou o governo de Paris várias vezes nos últimos anos, porque, embora a lei francesa permita a adoção por parte de solteiros, a nega aos casais homossexuais.

O recém-eleito presidente socialista François Hollande anunciou que em breve a França permitirá também aos casais do mesmo sexo, unidos no regime do PACS, a possibilidade de adotar crianças.

As críticas mais severas ao anúncio vieram dos bispos franceses, em especial do arcebispo de Lyon, cardeal Philippe Barbarin, primaz das Gálias e membro da Comissão Social da Conferência Episcopal Francesa (CEF), e do cardeal André Vingt-Trois, arcebispo de Paris e presidente da conferência episcopal.

O novo responsável do Conselho Pontifício para a Família, dom Vincenzo Paglia, em entrevista à Rádio Vaticano em 16 de agosto, deu todo o seu apoio às posições críticas dos dois cardeais, num contexto de grande polêmica suscitada pelos meios de comunicação franceses.

"Devo ser solidário com a conferência dos bispos da França, com o cardeal Vingt-Trois, que nos exorta a rezar para que as crianças cresçam com pai e mãe. E está certo o cardeal Barbarinnel quando observa que falar de casamento gay significa um choque de civilizações. Ninguém quer negar os direitos individuais: absolutamente não! Mas o casamento é outra coisa, e a família nasce do casamento".

Paglia também denunciou “esta espécie de moda cultural que parte da exaltação absoluta do indivíduo”, o que, na sua opinião, é a raiz da crise atual, “porque quando começamos a destruir o nós, que tem a sua célula primeira na família, colocamos em crise a própria estrutura da sociedade".

(Tradução:ZENIT)