Advento: tempo de cultivar a esperança e crer na promessa de Deus

Arcebispo de Belo Horizonte comenta exemplo do profeta Isaías

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BELO HORIZONTE, sexta-feira, 5 de dezembro de 2008 (ZENIT.org).- Ao destacar a «relação estreita» existente entre o abandono de Deus e a gravidade das situações que afligem a realidade contemporânea, um arcebispo brasileiro aponta o Advento como tempo de cultivar uma «abertura mais profunda para Deus».

Segundo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, neste tempo litúrgico, «quando todos são convocados, no exercício do dom de sua fé, a recuperar sensibilidades e a resgatar capacidade de percepção, o profeta Isaías é uma palavra e proclamação de importância determinante».

O arcebispo de Belo Horizonte explica que a referência ao profeta Isaías «é a apresentação do cenário em que o Povo do antigo Israel era, pedagogicamente, levado a analisar a gravidade de sua situação e a entender que na sua raiz estava o abandono de Deus».

«O profeta, grande educador, mostra que o caminho novo e a superação da situação grave, usando imagens e referências do tempo, não dependem simplesmente de foices ou de relhas de arado.»

«O povo é levado a entender que há uma promessa a ser anunciada e acolhida, uma esperança que precisa ser cultivada. Esta promessa nasce do coração de Deus e Ele é sua garantia. Não é fácil admitir esta verdade», afirma Dom Walmor, em mensagem difundida hoje por sua arquidiocese.

O arcebispo cita palavras do profeta, em que ele proclama que “o Senhor Deus eliminará para sempre a morte e enxugará as lágrimas de todas as faces e acabará com a desonra do seu povo em toda a terra”.

«Esta promessa tem garantia pela credibilidade de quem a faz. Sua conquista é fecundada pela esperança. A esperança tem que ser aprendida e exercitada no coração.»

De acordo com Dom Walmor, um povo que «não entende que há uma promessa feita a ele e não cultiva a esperança está fadado ao fracasso e a ter grandes dificuldades de resgates e de abertura de novos horizontes». 

«O Advento, pela escuta da Palavra de Deus na liturgia e também na tradicional experiência da novena de preparação para o Natal, providência simples, ao alcance de todos e de grande efeito missionário, é tempo dessa aprendizagem», destaca.

O arcebispo de Belo Horizonte considera que o serviço desta aprendizagem «é fundamental, embora tão obscurecido pelas aprendizagens que apontam tão somente na direção do que não é duradouro».

«Este serviço é a missão da Igreja no coração do mundo. É um serviço que capacita para labutar por uma nova ordem social, política e econômica às luzes dos valores do Evangelho.»

A Igreja –prossegue Dom Walmor–, «por mandato do seu Senhor, é depositária desta missão. Este serviço é serviço à compreensão da promessa feita e cultivo desta esperança viva».