Agenda apertada do Papa Francisco: reitera o objetivo ecumênico e inter-religioso

Recebe Dima Roussef, Bartolomeu I, Hilarión, Di Segni e outros líderes religiosos. Amanhã, o Prêmio Nobel Pérez Esquivel

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 1589 visitas

O Papa Francisco teve uma agenda cheia nesta manhã. Depois de receber no Vaticano a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, encontrou os "delegados fraternos de Igrejas e comunidades eclesiais".

Primeiro recebeu Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla, que assistiu a cerimônia do início de pontificado. Em seguida, esteve com o Metropolita russo Hilarion, ‘chanceler’ do patriarcado de Moscou e de todas as Rússias.

Na Sala Clementina houve um encontro com líderes e representantes de outras religiões. E a última audiência foi com o diretor executivo do Latin American Jewish Congress, Claudio Epelman.

Uma programa repleto de encontros que continuará nesta quinta-feira, quando Francisco encontrará o prêmio nobel da Paz, o argentino, Pérez Esquivel, que dias atrás desmentiu categoricamente as acusações que tentavam vincular o Papa Francisco com a ditadura militar do seu país.

Na sexta-feira receberá em audiência o corpo diplomático e no sábado visitará, em Castel Gandolfo, Sua Santidade Bento XVI.

Ao meio-dia, na Sala Clementina, em um ambiente muito descontraído, celebrou-se o encontro inter-religioso. Francisco estava sentado numa cadeira estofada de cor clara, tipo Luis XII, muito mais austera do que o trono dourado que geralmente se usa, encima de uma simples plataforma. Atrás dele, em mármore, estava o escudo do Vaticano com as chaves de São Pedro.

Em nome de todos os presentes o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, cumprimentou Francisco, indicando a necessidade das igrejas de se afastarem da mundanidade e promover a unidade entre os cristãos.

Francisco, agradeceu chamando-lhe sucessor do apóstolo André, “Meu irmão André”. E afirmou que graças à presença dos representantes das diferentes comunidades à Missa de ontem, sentia “de forma ainda mais forte a oração pela unidade entre os crentes em Cristo e, ao mesmo tempo, se podia entrever, de algum forma, sua realização plena que depende do plano de Deus e da nossa leal colaboração”.

Também significativa a presença do metropolita Hilarión, enviado pelo Patriarcado de Moscou, levando uma carta do patriarca de todas as Russias  Kirill e presenteando uma belíssima ícone de Nossa Senhora com o menino. Como se sabe, João Paulo II desejou visitar a Rússia e não foi possível. Ainda que as relações com o Patriarcado de Moscou melhoraram com Bento XVI, ainda não pôde acontecer. Esta presença do metropolita Hilarión abre de novo a esperança para os católicos russos.

Francisco manifestou “especial alegria por encontrar-me hoje com vocês, delegados das Igrejas Ortodoxas Orientais e das comunidades eclesiais do Ocidente.

O Santo Padre pronunciou com voz tranquila o seu discurso, que muitas vezes parecia mais falado do que lido.

À sua direita e esquerda sentaram-se os líderes e representantes das várias religiões, com suas vestes características: terno normal com a kipá; as túnicas negras dos ortodoxos, com o véu que lhes distingue, branco ou preto, com a sua corrente e medalhão; os muçulmanos, alguns com terno e gravata, e outros com túnica branca com fez vermelho.

O Santo Padre saudou também os membros de outras tradições religiosas, os muçulmanos "que adoram ao Deus, único vivente e misericordioso, e o invocam na oração".

"Desejo assegurar – disse aos presentes – o caminho dos meus antecessores, a firme vontade de continuar no caminho do diálogo ecumênico".

E convidou-lhes a dar "testemunho da verdade, bondade e da beleza de Deus”. Reiterou o compromisso da Igreja em promover a amizade e o respeito dos povos, a unidade dos cristãos e o diálogo com as religiões monoteístas: judeus, muçulmanos. Mas também daqueles que têm outras religiões ou nenhuma.

"Depois da troca de cartas entre o bispo de Roma e o rabino Di Segni – aparece na página da comunidade judaica de Roma – e das cordiais saudações com toda a comunidade judaica da capital, houve um primeiro encontro direto”. E acrescenta que “Bergoglio sublinhou a importância do diálogo com o judaísmo, confirmando a vontade de continuar na caminho do diálogo, partindo das bases colocadas pelo Concílio Vaticano II”, com o desejo de encontrar-se novamente em breve para promover novos passos no caminho do diálogo”.

O bispo Munib Younan, presidente da Federação Luterana Mundial disse aos microfones da Rádio Vaticana que é preciso ser realistas sobre este papa e não esperar poucas coisas. “Existem grandes expectativas por parte de todos”, e que “é um bom sintoma de que o novo papa venha do Sul”. Assim como a “humildade que o caracteriza e que mostra o mundo”.