Alexandre e Frederic, dois irmãos "de ouro"

A imagem comoveu o mundo inteiro: o esquiador Bilodeau que, tendo conquistado a medalha de ouro em Sochi, corre para abraçar seu irmão que sofre de paralisia cerebral

Roma, (Zenit.org) Federico Cenci | 387 visitas

Crônicas de Sochi. Alguns tentam tirar proveito do palco que os Jogos Olímpicos oferece para dar destaque à vãs campanhas ideológicas. Outros, ilustram as belas histórias do esporte. Histórias como a de Alexandre Bilodeau, canadense, vinte e seis anos de idade, que ganhou a medalha de ouro na modalidade Mogul skiing.

Apenas conquistado o mais alto degrau do pódio, Alexandre não hesitou um instante. Ele correu para o público que se aglomeravam nas grades e puxou seu irmão Frederic, que se deixou envolver por um abraço afetuoso, aos gritos de alegria. A imagem dos dois irmãos festejando comoveu primeiramente o país deles, o Canadá, e depois, o mundo inteiro.

Frederic, o mais velho dos dois, sofre de paralisia cerebral desde a infância. Ainda assim, o crédito da conquista da medalha de ouro, deve ser atribuída a ele - explicou Alexandre Bilodeau aos microfones do jornal USA today.

"Se está chovendo lá fora ou a temperatura é de -40 graus", disse o atleta canadense, pode surgir a tentação de pular um dia de treinamento. Além disso -acrescentou- "não faria uma grande diferença para mim". Alexandre explicou que, basta olhar para Frederic e pensar na emoção com que ele vive a carreira de seu irmão e na alegria que sente ao vê-lo alcançar o sucesso, para superar o impasse e enfrentar mais um dia de trabalho duro.

Confirmando a estreita relação entre os dois irmãos Bilodeau, Alexandre disse ainda durante a entrevista que, a primeira coisa que disse Frederic tão logo ele correu para abraçá-lo, foi: "Eu te amo, Alex". E acrescentou que Frederic "tem muito orgulho, vive seu sonho através de mim, e ver seu olhar tão 'grande' e confiante é algo inestimável para mim."

Frederic representa para Alexandre uma "grande parte" do seu resultado, porque estava sempre ao lado dele durante os últimos quatro anos de preparação para as Olimpíadas, incentivando, mas também "trabalhando duro".

Ao jornalista que perguntou se agora a popularidade de seu irmão poderia ofuscar a sua, o esquiador respondeu: "Eu ficaria feliz se esse dia tivesse chegado, eu não preciso de ser o centro das atenções, tenho condições de trabalhar e conquistá-la (popularidade), mas ele não tem, por isso devo dar a ele”.

Nos Jogos Olímpicos de Vancouver, em 2010, Bilodeau ganhou uma medalha de ouro e dedicou a seu irmão Frederic. Por fim, ao ouvir o testemunho, percebe-se que Frederic representa para Alexandre aquela fonte que inspira gratidão que é estranha àqueles que consideram o talento uma 'coisa qualquer'. "Todos os dias - explica Alexandre - me sinto sortudo por ser uma pessoa normal que tem a oportunidade de realizar seus sonhos. E ele não tem essa oportunidade. Então, por respeito a ele, eu tenho que alcançá-lo".

Depois do abraço em seu irmão Frederic, o que Alexandre Bilodeau conseguiu alcançar, comovendo-o, foi o coração de milhões de telespectadores. A imagem deles está prestes a se tornar um ícone dos Jogos Olímpicos de Inverno. O que levaria a cumprir o desejo do Papa Francisco de que Sochi 2014 fosse "uma verdadeira festa do esporte e da amizade”. 

(Trad.:MEM)