Aliança Evangélica Mundial responde ao pedido de desculpas do papa apresentando o seu próprio pedido de perdão

O reverendo Tunnicliffe diz que a aproximação do papa é um bom augúrio para o futuro

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 1157 visitas

O líder da Aliança Evangélica Mundial aplaudiu o encontro entre o papa Francisco e os pentecostais em Caserta, na Itália, na última segunda-feira, e respondeu ao pedido de desculpas do Santo Padre pela falta de compreensão dos católicos fazendo o seu próprio pedido de perdão em nome dos evangélicos que discriminaram os católicos.

O secretário geral da Aliança Evangélica Mundial, Rev. Dr. Geoff Tunnicliffe, disse que o pedido de desculpas do papa Francisco em nome dos católicos que perseguiram outros cristãos no passado foi louvável, bíblico e reflete a mensagem de Jesus. E, como Francisco, o líder evangélico também pediu perdão pelos cristãos evangélicos que fizeram o mesmo contra os católicos.

Em entrevista à Rádio Vaticano nesta quarta-feira, 30, Tunnicliffe fez uma série de reflexões sobre o gesto do papa de se reunir com mais de 200 membros da Igreja Pentecostal da Reconciliação na cidade italiana de Caserta. No sábado, o papa tinha se reunido também com a comunidade católica da cidade.

Perguntado sobre o impacto do encontro do papa com os pentecostais, ele declarou: "Eu acho que a aproximação do papa Francisco é um bom augúrio para conversas futuras, porque isso vai nos permitir ir mais fundo em nossas interações".

"Nos últimos anos, a Aliança Evangélica Mundial, que representa cerca de 650 milhões de cristãos do mundo todo, tem tido uma crescente interação com o Vaticano e com a Igreja católica. Estamos concluindo o nosso segundo diálogo teológico oficial, que identifica áreas de preocupações comuns e áreas em que ainda discordamos".

Reconhecendo os erros

Ao comentar o pedido de desculpas do papa Francisco em nome dos católicos que discriminaram os protestantes, Tunnicliffe elogiou o papa por dar o passo público de pedir perdão, considerou a atitude como "bíblica" e disse que ela "reflete a mensagem de Jesus".

Depois de dizer que o ato do papa Francisco representará uma "mensagem forte para o mundo, especialmente para os países onde existem tensões significativas entre católicos e evangélicos", Tunnicliffe também fez um pedido de desculpas.

"Eu também preciso dizer o seguinte: reconheço que houve na história situações em que os protestantes, incluindo os evangélicos, discriminaram os cristãos católicos. Eu sinto muito por esse tipo de atitude. Embora nós possamos discordar teologicamente, isso nunca deve nos levar à discriminação ou à perseguição contra o outro. Todos nós precisamos reconhecer todos os nossos erros e pedir perdão uns aos outros".

O líder evangélico observou que as conversas oficiais entre católicos e evangélicos ainda são uma parte essencial do caminho ecumênico e disse que o encontro histórico ajudou a construir a confiança e a amizade, que, espera ele, podem levar ao aprofundamento do diálogo ecumênico. Tunnicliffe pediu a continuidade das relações dentro da "família cristã".

"Jesus", disse ele, citando João 17, "nos pediu claramente para sermos um". É muito importante, por isso, ajudar os que estão fora da Igreja a entender que, "embora haja diferenças dentro das denominações cristãs, também temos muitas áreas em comum" no essencial.