América, um continente de cara feliz, mas com situações de injustiça

O cardeal Filoni encerra o Congresso Internacional Na escuta da América: encontros entre povos, culturas, religiões; caminhos para o futuro

Roma, (Zenit.org) Redacao | 315 visitas

"Três dias intensos para ouvir atentamente a um continente plural, rico de esperança e também de contradições. Um continente complexo, habitado por muitos povos e culturas”. Essas foram as palavras do cardeal Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos e Grão- Chanceler da Pontifícia Universidade Urbaniana, na conclusão do Congresso Internacional 'Na escuta da América: encontros entre povos, culturas, religiões; caminhos para o futuro’, celebrado na Urbaniana do 7 ao 9 de abril.

O cardeal destacou que "no Norte, no Centro e no Sul da América encontramos um cristianismo com uma cara alegre e popular, mas também participante, dinâmico, envolvido em situações de injustiça, de opressão do homem, de ameaça da vida humana desde a sua concepção e pela destruição do meio ambiente". Da mesma forma destacou que a América, porém, não é um continente “somente cristão”, porque “estão presentes as grandes religiões vindas com os imigrantes, imigrantes de fé judaica ou islâmica, e também discípulos das tradições espirituais e religiões asiáticas; ao lado deles há pessoas não crentes e distantes da experiência religiosa”.

O cardeal Filoni observou ainda que, durante o Congresso “nos deixamos provocar pela realidade para relê-la depois à luz da fé e da Tradição cristã e buscar juntos caminhos para a realização do futuro”. Depois de indicar que “a Evangelização é uma missão que se refere à todos e a situação de secularização geral abre novas fronteiras”, o prefeito lembrou o mandato de Aparecida para “uma missão continental que poderia, no entanto, cruzar também as fronteiras do mesmo continente americano, e que ao mesmo tempo, poderia perceber o continente americano de forma nova”.

Por outro lado, o cardeal indicou que “hoje a missão e a enculturação se comparam com sociedades similares a um caleidoscópio sempre em movimento" , ou seja , "devem estar preparadas para uma compreensão de si e do próprio contexto extremamente plural, dinâmico e em transformação. Em tudo isso é necessário ter claro uma hierarquia da verdade e tentar desenhar uma identidade cristã não fragmentada e confusa”.

Em conclusão, o cardeal convidou a refletir sobre o que significa para a América a eleição como sucesso de Pedro, de um filho, o primeiro, da América; o que significa para a Igreja na América, para a evangelização deste continente e a partir deste continente, a nomeação de Francisco.

[Trad.TS]