Ante pressão e discriminação, não desanimar, pede cardeal

“Nos momentos de provação é preciso voltar aos fundamentos da fé”

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SÃO PAULO, quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) – Em meio a notícias de perseguição de cristãos em diferentes partes do mundo, o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, convida os católicos no Brasil, onde não há perseguição aberta, a não desanimarem diante de possíveis pressões e preconceitos.

“São frequentes as notícias sobre atentados contra cristãos, nos quais muitos perdem a vida, até mesmo em igrejas, durante celebrações, como aconteceu em novembro passado em Bagdad, no Iraque, ou na noite do Ano Novo, no Egito.”

“São mártires, testemunhas de Cristo; não porque se autoimolaram por alguma causa, mas porque foram perseguidos e mortos por causa de sua fé. Em todos os períodos da história do Cristianismo houve mártires. Hoje não é diferente”, afirma Dom Odilo, em artigo veiculado na edição desta semana do jornal O São Paulo.

“Entre nós – prossegue o arcebispo – não há perseguição aberta, nem martírios frequentes. Porém os católicos e os cristãos, em geral, também sofrem certa pressão e discriminação.”

Segundo Dom Odilo, muitos cristãos “são tentados de desânimo ou de seguir por um caminho religioso menos difícil, ou mais ‘promissor’, do ponto de vista da prosperidade e da satisfação das necessidades imediatas”.

“Outros vão atrás de promessas religiosas enganosas e esperam por milagres para resolver toda dor e todo problema na vida. Não faltam ofertas de ‘milagres’ fáceis e soluções mágicas no campo religioso e muitos são tentados a experimentar a via mais fácil. Jesus alertou que o caminho largo e a porta espaçosa não são os que dão acesso à salvação (cf Lc 13,24).”

Dom Odilo explica que a experiência da perseguição e do desânimo também foi vivida no início do Cristianismo. Disso há um testemunho na Carta aos Hebreus, da qual se leem trechos na missa nestas primeiras semanas do Tempo Comum.

“No Cristianismo nascente, a liturgia ainda não estava toda organizada, como hoje; ainda não havia igrejas esplendorosas, nem tradições religiosas, como as que alimentaram a fé do povo eleito por gerações e gerações. E ainda, por cima disso tudo, perseguições, prisões e martírios! Não era uma situação fácil.”

Segundo o arcebispo, “o autor escreve a Carta aos Hebreus para confortar esta comunidade e para aprofundar com ela o sentido da fé cristã”.

“Jesus Cristo é o fruto das promessas de Deus, o verdadeiro e único Sacerdote, que nos santifica com sua vinda ao mundo e com o seu sangue, no sacrifício oferecido a Deus sobre a cruz.”

“Nele se cumprem as promessas de Deus acalentadas pelo povo fiel ao longo de séculos; Jesus é o novo templo de Deus no mundo e também nós somos edificados, com ele, em templo onde Deus habita”, afirma.

Nos momentos de provação – prossegue o cardeal –, “é preciso voltar aos fundamentos da fé para reencontrar as razões da nossa esperança e as forças para enfrentar os dias difíceis e prosseguir no caminho”.

“A Carta aos Hebreus exorta a nós, também: ‘Não abandoneis a vossa coragem, que merece grande recompensa! De fato, precisais de perseverança, para cumprir a vontade de Deus e alcançar o que ele prometeu’ (10,35-36). Coragem, portanto, não desanimemos!”