Anunciar o evangelho

Na Arquidiocese de Belém, o primeiro Domingo do mês de fevereiro do corrente ano é festa do envio missionário dos irmãos e irmãs que foram preparados no Projeto Igreja de Belém em Missão.

Belém do Pará, (Zenit.org) Dom Alberto Taveira Corrêa | 931 visitas

A Igreja multiplica, Brasil afora, as iniciativas missionárias, para que todos os discípulos de Jesus se descubram chamados a anunciar a Boa Nova. Onde quer que exista um cristão batizado, deve florescer um missionário. Alguns serão testemunhas silenciosas de Jesus Cristo, como sal, luz e fermento na sociedade. Outros assumirão tarefas de liderança em suas Comunidades de Bairro e em suas Paróquias. Muitas pessoas terão em sua profissão o campo missionário. Em todos os lugares poderão despontar famílias exemplares, quais casas construídas num lugar alto, luzes que não foram feitas para serem escondidas. Cresce o número de jovens dispostos a assumir a vocação sacerdotal, religiosa, missionária ou em Comunidades Novas. Nossos Seminários da Arquidiocese recebem um número significativo de novos candidatos ao sacerdócio. E assim testemunhamos o carinho de Deus pelo seu povo. A todos os cristãos chegue o convite à resposta generosa, cada qual se apresentando à Igreja para dizer “o Senhor me chamou a trabalhar, a Messe é grande a ceifar. Senhor, aqui estou!”

A muitos homens e mulheres será confiado um mandato missionário específico, com o qual deverão empreender verdadeiro mutirão de visitas, serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão. Na Arquidiocese de Belém, o primeiro Domingo do mês de fevereiro do corrente ano é festa do envio missionário dos irmãos e irmãs que foram preparados no Projeto Igreja de Belém em Missão. O Manual do Missionário tem a seguinte mensagem, agora compartilhada com todos:  “Nas mãos de Deus Providente está a vida da Igreja e a certeza de que a Boa Nova do Evangelho há de chegar aos confins da terra. Nas mãos da Igreja de Belém está a responsabilidade do mandato missionário, do qual não nos é lícito fugir! Mas a messe é grande e os operários são poucos! Nas mãos dos irmãos e irmãs que acolheram o chamado à missão está a grande empreitada que agora se inicia. Em suas mãos, caríssimos missionários e missionárias, estão estas orientações práticas, para que o contato com as pessoas e as comunidades de toda a Arquidiocese seja marcado pela unidade e pela caridade com que serão todos tocados pela ação do Espírito Santo, que pode mover os corações, a fim de que todos possam reconhecer Jesus Cristo como Senhor e Salvador e acolher o Evangelho. Nas mãos e no coração de todos está a responsabilidade da oração, para que o Senhor envie mais operários à sua messe. Nas mãos e no coração dos Bispos, Dom Vicente Joaquim Zico, Dom Teodoro Mendes Tavares e Dom Alberto Taveira Corrêa, está o voto de confiança em todas as pessoas que partem em missão, levando no peito uma Cruz!”

A estes e aos muitos missionários e missionárias que a eles se agregarão, cheguem algumas recomendações, brotadas do coração de Deus, na Liturgia da Palavra do Domingo do envio. Elas podem também chegar a muitas outras pessoas de outras partes, desejosas de assumirem a missão evangelizadora.

Um profeta de nome Jeremias (Cf. Jr 1,4-19) foi chamado a levar a palavra do Senhor ao povo: “Antes de formar-te no seio de tua mãe, eu já te conhecia, antes de saíres do ventre, eu te consagrei e te fiz profeta para as nações”. Eu respondi: “Ah! Senhor Deus, não sei falar, sou uma criança”. O Senhor me respondeu: “Não digas: ‘Sou uma criança’, pois aos que eu te enviar irás, e tudo o que eu mandar dizer, dirás. Não tenhas medo deles, pois estou contigo para defender-te”. O Senhor estendeu a mão, tocou-me a boca e disse: “Eu ponho minhas palavras na tua boca”. Missionários na Igreja podem ser homens e mulheres de várias idades e situações sociais! Deus fez e faz maravilhas contando com pessoas que convertem! Não há desculpas a oferecer. Há uma área na Arquidiocese de Belém cuja evangelização se iniciou quando o Pároco encontrou a resposta num adolescente de quinze anos, hoje respeitado pela vizinhança, pela coragem com que leva a Palavra de Deus. Olhando ao nosso redor, há sempre alguma coisa a fazer, que se torna possível quando cada um se reveste da responsabilidade que lhe é própria, nascida do Batismo. Quem se sente chamado à missão, jogue fora todas as desculpas. No lugar do nome “Jeremias”, pode colocar seu próprio nome!

Quando Jesus apresentou seu “programa” missionário, proclamando um ano de graça da parte do Senhor, mostrou-se como aquele que traz a libertação a todos (Cf. Lc 4,14-30). Para surpresa do público presente na Sinagoga de Nazaré, começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir.” Dali para frente, onde quer que alguém chegue, em nome de Jesus Cristo e na força de sua graça, a Palavra de Deus se realiza. Não somos em primeiro lugar mensageiros de uma doutrina, mas testemunhas de uma pessoa. E ele está presente no meio de nós, caminha conosco até o final dos tempos, não abandona sua Igreja. Portanto, coragem, missionários! O Senhor os acompanha!

“Que beleza os passos de quem traz boas-novas, daquele que traz a notícia da paz, que vem anunciar a felicidade, noticiar a salvação, dizendo a Sião: Teu Deus começou a reinar” (Is 52,7). Em Nazaré, todos ficaram maravilhados com as palavras cheias de graça que saíam da boca de Jesus. E perguntavam: “Não é este o filho de José”? Pois é, os missionários da Igreja católica são gente de nossa vizinhança, pessoas simples, conhecidas, até para que também os que recebem as visitas missionárias descubram que também eles podem fazer o mesmo! Que em nossa Igreja ninguém menospreze o que anuncia a boa nova!

Na mesma ocasião, Jesus lhes dizia: “Sem dúvida, me citareis o provérbio: ‘Médico, cura-te a ti mesmo’. O que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum, faze também aqui, na tua terra!” E acrescentou: “Em verdade, vos digo que nenhum profeta é aceito na sua própria terra”. Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no para o alto do morro sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de empurrá-lo para o precipício. Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho”. Em todos os tempos os missionários são confrontados com a perseguição e a incompreensão. Não há que desanimar, mas perseverar sempre e cada dia mais, na absoluta fidelidade ao Evangelho, prontos a dar a vida por Jesus Cristo. Se de um lado pedimos a todos que abram suas portas e corações aos missionários, de outra parte sabemos que as provações e provocações eventualmente encontradas não diminuirão a força do Evangelho de Jesus Cristo.

Mas a grande “arma” dos missionários da Arquidiocese será “o amor de Deus derramado nos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Trazem consigo o amor de caridade (Cf. 1 Cor 12,31 – 13,13), pois sabem que se falassem as línguas dos homens e as dos anjos, mas não tivessem caridade, seriam como bronze que soa ou um címbalo que retine. Se tivessem o dom da profecia, ou conhecessem todos os mistérios e toda a ciência, se tivessem toda a fé, a ponto de remover montanhas, mas não tivessem caridade, nada seriam. Levam consigo a caridade, que é paciente e benfazeja; não é invejosa, não é presunçosa nem se incha de orgulho; não faz nada de vergonhoso, não é interesseira, não se encoleriza, não leva em conta o mal sofrido; não se alegra com a injustiça, mas fica alegra com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, espera tudo, suporta tudo. Esta é a bandeira dos missionários e missionárias!