Ao legalismo dos fariseus, Jesus se contrapõe com a "transparência evangélica"

Durante a homilia em Santa Marta, o papa Francisco identifica quatro modelos de crentes

Roma, (Zenit.org) Luca Marcolivio | 511 visitas

Jesus Cristo e o seu Evangelho não deixam margem para o engano e as leituras de hoje desmascaram facilmente os cristãos hipócritas ou "legalistas", disse o Papa Francisco durante a homilia desta manhã na Casa Santa Marta.

Como destacado pelo Santo Padre, a partir de leituras de hoje podemos identificar quatro modelos de crentes: Jesus, os escribas, o sacerdote Eli e seus dois filhos. Enquanto Jesus (Mc 1, 2) “ensinava como quem tem autoridade", os escribas, ao contrário, " ensinavam, pregavam, mas colocavam nos ombros das pessoas muitas coisas pesadas, e a pobre gente não podia ir para frente”.

 A atitude dos escribas e fariseus é a de alguém que não move as coisas, “nem mesmo com um dedo", "é como se dessem pancadas nas pessoa!”. E Jesus os adverte: “Mas assim vós fechais a porta do Reino dos Céus. Não deixais entrar e nem vós entrais!”. Uma atitude bastante recorrente entre os cristãos de hoje, disse o Papa.

Na primeira leitura (ver Sam 1,9-20), encontramos a figura de Eli, “um pobre sacerdote, fraco, morno” que “deixava os seus filhos fazerem tantas coisas desagradáveis. Quando ele vê Ana no templo, uma mulher humilde, que "rezava de modo simples, mas com o coração, com angústia”, que pede a Deus para que faça um milagre para dar -lhe um filho, Eli, com a atitude de " líder da fé”, despreza, considerando-a “uma bêbada”.

“Quantas vezes o povo de Deus se sente não amado por aqueles que devem dar testemunho: pelos cristãos, pelos cristãos leigos, pelos sacerdotes, pelos bispos”, comentou o Pontífice.

Falando sobre Eli, o Papa Francisco disse ter “simpatia por este homem", já que "no coração tinha a unção", embora "escondido dentro", e quando a mulher explica sua situação, ele responde: “Vai em paz, e o Deus de Israel lhe conceda o que você pediu”.

Os filhos de Eli, citados na Primeira Leitura, "eram sacerdotes, mas malfeitores", que "buscavam poder" e "dinheiro", exploravam as pessoas, se aproveitavam das esmolas, e o “Senhor os castiga duramente”. Eles são como tantos cristãos hodiernos de “coração corrupto" e predispostos à traição, nem mais nem menos do que aqueles de Judá.

O quarto modelo de crente, o único que realmente devemos seguir, é Jesus que, "com autoridade", traz um “ensinamento novo", cuja novidade é o "poder da santidade".

Cristo, afirma o Pontífice, “aproxima Deus das pessoas e para fazer isso Ele se aproxima: está perto dos pecadores; perdoa a mulher adúltera, fala de teologia com a Samaritana, que não era um anjinho”, “se aproxima do coração ferido das pessoas”, faz de modo que, as pessoas o busquem e se sente emocionado quando a vê como uma ovelha sem pastor”.

Na verdade, disse Francisco, “não é novo ensinamento: a maneira de fazê-lo é nova. É a transparência evangélica”. 

O Santo Padre, por fim, rezou: Peçamos ao Senhor que estas duas leituras nos ajudem em nossas vidas como cristãos. Cada um no seu lugar. A não sermos legalistas puros, hipócritas como os escribas e os fariseus. A não sermos corruptos como os filhos de Eli. A não sermos mornos, como Eli, mas a sermos como Jesus, com o zelo de buscar as pessoas, de curar as pessoas, de amar as pessoas, e assim dizer: ‘Mas, se eu faço isso tão pequeno, imagine como Deus nos ama, como é nosso Pai! Este é o ensinamento novo que Deus pede a nós. Vamos pedir essa graça”. 

(Trad.:MEM)