Aos sacerdotes!

Celebrar o dia da Instituição do Sacerdócio é um momento de afirmações importantes para nossas vidas e para a vida da Igreja.

Rio de Janeiro, (Zenit.org) Card. Dom Orani Tempesta, O.Cist. | 1090 visitas

“Antes de te formar no ventre eu te escolhi, antes de saíres do seio materno eu te consagrei e te nomeei profeta entre as nações.” (Jr 1,5)

Devido ao momento atual de contradições sobre a vida da Igreja, tanto de uma alegria muito grande pelos passos dados, em especial pela escolha do Papa Francisco, como pelos eternos questionamentos da vida e dificuldades de muitos clérigos, celebrar o dia da Instituição do Sacerdócio é um momento de afirmações importantes para nossas vidas e para a vida da Igreja.

O mundo está correndo velozmente. A cada instante uma novidade é criada em algum lugar do planeta. Elas mudam a opinião das pessoas. Há novos desafios, problemas e tarefas na linha de frente para um padre. Como lidar com tudo isso? O que e a quem recorrer e em que trabalho? O que nunca vai esquecer? Aqui estão as perguntas que a Igreja dá e a resposta que guarda no depósito da fé e da moral, principalmente registrada nas Escrituras e explicada nos documentos da Igreja.

Cada um dos graus do sacramento da Ordem: diaconato, presbiterato e episcopado, traz as impressões distintas de um personagem sacramental e, portanto, de uma maneira especial um homem configurado com Cristo Sacerdote, Profeta e Rei. "Os padres, pela ordenação, são enviados para servir a Cristo Mestre, Sacerdote e Rei, comunhão no seu ministério, através do qual a Igreja aqui na terra está em constante crescimento como povo de Deus, o corpo de Cristo e do templo do Espírito Santo".

Cada ordenado deve levar todos à experiência da vida divina e isto lhe dá a graça necessária para cumprir diversas tarefas relacionadas ao ministério sacerdotal. Esta comunhão com Cristo lhes confere os dons de Profeta, Sacerdote e Pastor, atendendo a vontade de Deus e acolhendo os dons do Espírito Santo conferidos pelo sacramento da Ordem.

Como traduzir para o mundo, que tudo questiona e que prescinde da fé, o que é ser padre hoje? Como unir aquilo que é a certeza de sempre, com o chamado de Deus para o serviço do altar, com as necessidades de evangelização em uma sociedade que perdeu os valores e a visão cristã?

É chamado a ser de Deus e, como conseqüência, ser humano. Essa é a nossa base para viver o serviço ao povo de Deus. A oração liga o padre a Deus e ao povo, e leva o povo a ligar-se com Deus, Pai de todos. Tudo o que faz está intimamente relacionado com o seu ministério sacerdotal. É uma grande alegria se doar pelo Reino de Deus na comunicação do Evangelho. Com certeza é uma atividade cheia de responsabilidades, que ele faz bem e com firmeza institucional, mas sempre alimentado pela oração e com leveza espiritual. Está ciente de que ser padre é um aprendizado constante. Em cada graça o padre vê e participa da alegria e das dores do próximo.

A sua solidão será preenchida pela vida de oração e comunhão com Deus. E será necessária diante de tantas urgências de reuniões e encontros. Sabemos que não é fácil ser padre hoje. Mas o mistério que se dá no momento da ordenação vem para ajudar. Ser chamado por Deus para esta missão é assumir todas as dores, dificuldades e alegrias que o ministério traz. O homem vai aos poucos assumindo a sua vocação. Por isso a oração dos fiéis vem para ajudar a manter os sacerdotes para serem sempre bons padres.

Tem necessidade de constante atualização com cursos e encontros, além de um trabalho permanente na comunicação pessoal e homilética. Tem necessidade de encontro com seus irmãos de presbitério para partilhar sonhos e esperanças junto com o planejamento pastoral. A presença junto ao povo em suas necessidades faz parte de sua constante preocupação de pastor. É chamado a viver constantemente em conversão, procurando converter-se a cada dia. Ele é chamado a ter um coração indiviso e, por isso, o discernimento levou-o a ser escolhido – por ter vocação ao sacerdócio e o dom do celibato - para melhor servir ao povo de Deus. Mesmo com os questionamentos atuais, vemos que este sinal incomoda muito a atual mentalidade, a ponto de quererem culpá-la por número de vocações ou desvios de comportamento. Mas todos nós sabemos que não é esse o problema.

O trabalho com os pobres de todas as situações está na ordem do dia da missão sacerdotal. Faz parte de seu coração de pastor. Tanto nas preocupações sociais, que tantas dificuldades enfrentam hoje, como nas dependências químicas ou ainda no atendimento das pessoas para uma orientação espiritual com seus problemas que machucam a vida. Mas também o grande sacramento da Confissão: é uma grande alegria ver como a pessoa vai embora perdoada e reconciliada e em busca de viver uma nova vida! Jesus chama os homens para serem padres, para que eles sejam corajosos na proclamação da verdade, do amor e da misericórdia, fascinados por Deus e homens de santidade.

“Pois o zelo da tua casa me consome". Quantos sacerdotes deram a vida pelo povo de Deus! Foram fiéis até o fim e consumiram suas vidas pelo Evangelho! E ainda hoje agradeço a Deus por ver esse zelo presente em nosso clero. Vocação que transpareceu no desejo e que foi discernida como aptidão através dos dons de Deus em sua vida.

Volta-se a pergunta: O que é ser um padre hoje? O que Deus espera dele hoje? Aqui estão as perguntas que enfrentam todos os dias os que exercem o sacerdócio ordenado (vigário, padre, bispo) como um incentivo para trabalhar em si próprios, a fim de serem bons trabalhadores na vinha do Senhor.

Somos imbuídos a lembrar do Profeta Jeremias: "Eu te darei pastores segundo o meu coração" (Jr 3,15). Com estas palavras do profeta Jeremias, Deus promete a seu povo que não vai deixá-lo sempre sem pastores. "Porei sobre eles (e das minhas ovelhas) os pastores que não temerão, nem se espantarão, nem se perderão "(Jr 23,4).

A Igreja, como Povo de Deus, experimenta continuamente a realização deste anúncio profético e a alegria em agradecer a Deus por tudo isso. Ela sabe que Jesus Cristo é a vida, o cumprimento supremo e definitivo da promessa de Deus: "Eu sou o bom pastor" (Jo 10,11). Ele, o "Grande Pastor dos Inocentes" (Hb 13,20), confiou aos apóstolos e seus sucessores no ministério dos pastores o rebanho de Deus.

Pela instituição do Sacerdócio, a ser relembrada nesta Quinta-feira Santa e pela Páscoa, quero cumprimentar todos os sacerdotes da Arquidiocese. E peço aos fiéis que rezem sempre pelas vocações e pelo seu pároco, pelos sacerdotes de nossa Igreja!

Deus os abençoe, e tenham uma FELIZ PÁSCOA!

† Orani João Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ