Apelo de Bartolomeu I pela paz

Patriarca ecumênico que participará do Sínodo apela por respeito às diferenças religiosas e pelo fim da violência

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ROMA, sexta-feira, 5 de outubro de 2012 (ZENIT.org) – Reproduzimos a seguir a declaração do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla sobre o respeito das diferenças religiosas e pelo fim da violência.

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O Patriarcado Ecumênico Bartolomeu I manifesta a sua profunda tristeza porque a humanidade entrou em um período de confusão e de instabilidade, caracterizado pela exaltação religiosa, cujo resultado é a manifestação da violência e a perda do respeito pelas diferenças religiosas. Quando agimos de modo impudente e violento, em nome dos nossos preconceitos religiosos ou das nossas crenças religiosas, subestimamos as nossas próprias vidas e a nossa fé, de modo que, ao mesmo tempo, criamos um clima de ódio, de raiva e de desconfiança, que destrói os laços de coesão da humanidade existentes desde a criação do mundo.

O Patriarcado Ecumênico emitiu um comunicado em agosto sobre o ressurgimento da violência, que vem se espalhando pelo mundo, e apelou a todos os envolvidos na violência para silenciarem as armas. Olhando para o que aconteceu nas últimas semanas, aquele apelo em prol da assunção de compromissos com a manutenção da paz e do respeito mútuo na humanidade se tornou mais crítico do que nunca.

A Sagrada Escritura, no livro dos Provérbios (10,12), nos diz que "o ódio suscita contendas, mas o amor apaga todos os pecados".

Por isso, amemos uns aos outros, pois sabemos que o verdadeiro amor vem de Deus, que criou cada homem e ama cada pessoa na sua Divina Providência. Nós, que professamos conhecer a Deus, devemos reconhecer o dom divino da vida em cada um dos homens e respeitar esta semente de Deus. Nós, que chamamos Deus de nosso Senhor, temos de proteger a vida humana e nos tornar ainda mais próximos da pessoa de quem discordamos, honrando-a.

O Patriarcado Ecumênico acredita que é sua obrigação travar diálogo com todos aqueles que dele discordam, a fim de se familiarizar com os símbolos, com as prioridades e com os modos de pensar do "outro". Os símbolos são representações características externas, às quais todas as pessoas conectam os seus pensamentos e valores internos. Para desenvolver a compreensão dos símbolos, temos de compreender a pessoa humana. A destruição dos símbolos corresponde ao infligir um sofrer aos homens que honram tais símbolos e as tradições que eles representam em seus corações.

Sua Santidade, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu, tem continuamente lembrado a toda a humanidade da necessidade de adotar "uma mudança radical de atitudes, de hábitos e de práticas", para alcançar um nível tal de compromisso que "a deixe pronta para compartilhar todas as coisas boas com todas as pessoas". O Patriarca Ecumênico nos recorda as palavras de São João Crisóstomo, que dizia que "o mistério do nosso próximo não pode ser isolado do mistério da Eucaristia".

Para o cumprimento dessas verdades mencionadas e o reconhecimento da imagem de Deus em cada homem, Sua Santidade e o Patriarcado Ecumênico repudiam o fato de se afrontar o nosso próximo com desprezo, desrespeito e ódio destruidor. Em conclusão, de nada nem a ninguém servem os discursos cheios de intolerância, as acusações infundadas, a impossibilidade de compreensão das diferenças culturais, o culpar a outrem no intuito de fugir à responsabilidade própria. Independentemente do caminho que cada um escolheu conscientemente para trilhar, estamos todos ligados de modo inquebrantável com os outros, como os fios de um mesmo tecido, obra de Deus, e devemos reconhecer a beleza e o valor inerente de cada indivíduo, cessando a destruição de qualquer parte da nossa beleza coletiva.

(Trad.ZENIT)