Apelo do papa pela dignidade dos presos

Em visita ao presídio de Rebibbia, Bento XVI lamenta superlotação de prisões

| 852 visitas

ROMA, segunda-feira, 19 de dezembro de 2011 (ZENIT.org) - O papa Bento XVI fez um apelo contra a superlotação das prisões e pela dignidade dos presos, para que eles não tenham uma "dupla penalização", durante visita à prisão de Rebibbia, na manhã deste domingo (18).

O Santo Padre chegou por volta das 10 horas e foi recebido pela ministra italiana da Justiça, Paola Severino, pelo chefe do Departamento de Administração Penitenciária, Franco Ionta, pelo diretor do Instituto, Carmelo Cantone, e pelos capelães Per Sandro Spriano e Roberto Guarnieri.

O encontro com os detentos, que durou cerca de uma hora, aconteceu na capela do "Pai Nosso", dentro do presídio. O papa lembrou a frase do Evangelho "Eu estava preso e viestes me ver " (Mateus 25, 36), que "expressa o sentido pleno da minha visita a vocês hoje".

A visita aos presos sempre foi considerada uma das obras de misericórdia corporais, como reiterado no Catecismo da Igreja Católica (2447).

A questão da dignidade dos detentos foi abordada recentemente pelo papa Bento XVI na exortação apostólica Africae Munus, assinada no mês passado durante a sua visita pastoral ao Benin. O Santo Padre mencionou para os prisioneiros a passagem do documento em que recomenda a adoção de "sistemas judiciários e carcerários independentes, para restaurar a justiça e reabilitar os condenados". A exortação pede um tratamento humano aos prisioneiros, pessoas "que, apesar do crime", merecem "respeito e dignidade".

O bispo de Roma concentrou-se depois nas diferenças significativas entre a justiça humana e a justiça divina. Embora os homens não sejam "capazes de aplicar a justiça de Deus", eles devem se inspirar nela para captar o seu "espírito profundo", iluminar a justiça humana e impedir que "o prisioneiro se torne um pária".

"Deus é quem proclama a justiça com força, mas, ao mesmo tempo, cura todas as feridas com o bálsamo da misericórdia", acrescentou o Santo Padre.

A justiça divina encontra a sua contrapartida na parábola evangélica dos vinhateiros (Mt 20,1-16), em que o dono da vinha paga de modo igual a todos os trabalhadores, independentemente da qualidade do seu desempenho. “Do ponto de vista humano”, disse o papa, “esta decisão é uma injustiça real, mas da perspectiva de Deus é um ato de bondade, porque a justiça divina dá a cada um o que é seu, mas também inclui a misericórdia e o perdão".

A melhor realização possível da justiça humana é, portanto, a sua "realização no amor para com aqueles que precisam". Ela será tanto mais perfeita quanto mais animada pela caridade "para com Deus e para com o próximo".

Bento XVI pediu o cumprimento constante dos dois pilares do sistema de detenção: a proteção da sociedade contra ameaças e reintegração do infrator à sociedade, sem o pisoteio da sua dignidade.

O drama da "superlotação" e da "degradação" na cadeia pode "tornar ainda mais amarga a detenção", disse o papa, que relatou ter recebido várias cartas de presidiários denunciando o problema.

A este respeito, o Santo Padre pediu um sistema prisional que não condene os presos a uma "dupla penalização" e que, "no respeito pela justiça, seja cada vez mais adequado às necessidades da pessoa humana, inclusive com o uso de penas não privativas de liberdade ou com modalidades diferentes de detenção".

Ao encerrar o discurso, o papa desejou um bom Natal aos detentos: "O Menino de Belém ficará feliz quando todos os homens se voltarem para Deus de coração renovado. Oremos em silêncio para sermos todos libertados da prisão do pecado, da soberba e do orgulho: todos precisamos sair dessa prisão interior para ser verdadeiramente livres do mal, da angústia e da morte".

Depois de responder a perguntas dos detentos, Bento XVI terminou o encontro com a "Oração atrás das grades", composta por um presidiário, seguida do pai-nosso e da bênção apostólica. Na hora sair do presídio, o papa abençoou um cipreste plantado na praça em frente à capela da prisão, em memória de sua visita.