Após massacre, Igreja no México clama justiça para migrantes

Campanha de oração frente ao atroz assassinato de 72 pessoas em Tamaulipas

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MÉXICO, sexta-feira, 27 de agosto de 2010 (ZENIT.org-El Observador) - Diante do atroz assassinato de 72 pessoas ocorrido no Estado de Tamaulipas, o episcopado mexicano pediu justiça e respeito para todos os imigrantes, independentemente da sua origem.

"É um fato lamentável que não pode ficar impune, nem com resoluções imediatistas, nem com explicações de curto alcance por parte daqueles que procuram a justiça em nosso país", afirmou em um comunicado de imprensa Dom Víctor René Rodríguez Gómez, bispo auxiliar de Texcoco, secretário-geral da Conferência do Episcopado Mexicano (CEM).

"Esse massacre nos enche de dor, de preocupação e indignação pela ferocidade com que o crime organizado age, enquanto os diversos níveis de governo, com muitos esforços e nem sempre com os resultados que a sociedade gostaria de ver, buscam conter esta onda de violência e insegurança que açoita nossa pátria."

Estima-se que a maioria dos corpos das vítimas do atentado pertence a cidadãos provenientes de países do Centro e da América do Sul que viajaram ao México com o propósito de cruzar a fronteira até os Estados Unidos, pagando previamente a máfias de tráfico de imigrantes.

"Assim como exigimos que as autoridades do nosso vizinho país tratem com respeito e dignidade nossos cidadãos, no México, por parte dos Poderes da União e da própria sociedade, devemos aplicar a todos aqueles que cruzam nossas fronteiras em busca de uma melhor qualidade de vida, um trato respeitoso e justo, sem desrespeitar seus direitos", assegura o representante do episcopado.

Por sua parte, Dom Faustino Armendáriz, pastor da diocese de Matamoros, onde ocorreram estes lamentáveis fatos, lançou uma campanha de oração, "pedindo ao Senhor das nossas vidas que acolha esses irmãos que morreram assassinados e console seus familiares".

Também pediu às paróquias que, "junto com cada uma das suas comunidades, celebrem a Eucaristia desse dia e dos dias seguintes tendo entre as intenções, de forma especial, os migrantes massacrados, que, com o desejo de buscar uma melhor qualidade de vida, perderam-na na tentativa".

Por último, o prelado pediu orações "para que os responsáveis por buscar a segurança da população encontrem as estratégias adequadas para que acabe o derramamento de sangue e toda violência; além disso, para que o Senhor inspire caminhos de bem aos que a provocam".