Após visita do Papa, Fazenda da Esperança vive «boom» de solicitações

Vários países convidam frei Hans Stapel a abrir unidades de recuperação de dependentes

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GUARATINGUETÁ, quinta-feira, 13 de setembro de 2007 (ZENIT.org).- A visita de Bento XVI à Fazenda da Esperança, em Guaratinguetá (cerca de 200 km de São Paulo, sudeste do Brasil), em maio passado, despertou um «boom» de solicitações à entidade de recuperação de dependentes químicos.



Apenas nos três dias posteriores à visita de duas horas que o pontífice fez à Fazenda sede de Pedrinhas, em 12 de maio, foram recebidas pelos responsáveis do local 250 solicitações de internamento. Ali há 300 vagas.

«Nós já prevíamos esse aumento de solicitações, mas superou muito nossas expectativas», comentou com Zenit Klaus Rautenberg, teólogo alemão e um dos principais colaboradores do fundador, frei Hans Stapel, na condução das Fazendas da Esperança.

Consideradas pela mídia as mais belas imagens de sua viagem ao Brasil, as cenas de Bento XVI sorrindo em meio aos jovens correram o mundo e ajudaram a quebrar não só na América Latina a falsa imagem fria e rígida do pontífice alemão.

Na Fazenda da Esperança Bento XVI abraçou crianças, assistiu a apresentações folclóricas e ouviu emocionados testemunhos. Ali, disse aos jovens que Deus lhes quer mostrar sua «predileção» e chamou-os a ser «embaixadores da esperança».

Tudo isso fez com que a entidade subisse ao patamar de modelo de prática da caridade no seio da Igreja. O próprio pontífice voltou a se referir aos momentos que ali passou quando se encontrou com os jovens em Loreto (Itália), em 1º de setembro.

Disse que ali os jovens reencontram «a alegria de viver e testemunham que exatamente a descoberta de que Deus existe faz com que a cura do desespero tenha um significado para eles».

Rautenberg conta que todo processo de preparação para receber o Papa foi «um ato de fé». «É que nós não tínhamos certeza da visita do Santo Padre, já que ela só foi confirmada poucos meses antes de sua vinda ao Brasil».

Reformas foram realizadas e até uma igreja foi erguida. Entre os jovens, a esperança de uma possível visita papal se tornou entusiasmo e expectativa, o que fez atrair a atenção sobre a Fazenda já antes da confirmação da visita.

«Esse entusiasmo atraiu outros jovens, pois já nas famílias se comentava que o Papa viria. Diante disso, nós fizemos um trabalho de triagem, para não haver risco de entrar pessoas só por curiosidade.»

E após a visita as solicitações só aumentaram. Em dois meses, os pedidos de internação chegavam a 2.000. Para se ter uma idéia do volume, esses pedidos superam todas as vagas disponíveis no Brasil. Nas 35 Fazendas da Esperança do país, são 1.800 vagas.

E não só de pedidos de internação se fazem as solicitações, que não param de chegar. Desde junho, frei Hans tem viajado pelo mundo a convite de diferentes entidades e países para discutir projetos de implantação de novas Fazendas. Alemanha, Israel, Itália, Colômbia, Guatemala são os próximos passos a se concretizarem.

O frei e seus colaboradores estudam atualmente a viabilidade de 30 doações de fazendas para implantar o projeto. «O maior sofrimento do frei é não poder abrir todas as fazendas possíveis e nem atender prontamente a todos os pedidos de internação», refere Rautenberg.

A abertura de uma unidade da Fazenda da Esperança depende de muitos fatores. É necessário apoio do bispo e da Igreja local, primeiramente. É necessário ser um bom lugar, que facilite o escoamento dos produtos, às vezes já estruturado para o cultivo ou a criação de animais.

Vale lembrar que as Fazendas da Esperança são auto-sustentáveis. Os recuperandos do vício do álcool ou das drogas que têm condições trabalham nos campos, criações e demais atividades da Fazenda, dependendo da especificidade do local.

Um ano é o período indicado de tratamento para os que buscam superar o vício, tempo esse marcado pelo alento de um novo sentido da vida, regado pelo trabalho, a vida em comunidade e a abertura espiritual. As Fazendas da Esperança têm um alto índice de recuperação, que chega quase aos 80%.

Muitos dos jovens e adultos que ali se recuperam, sejam homens ou mulheres, já que há unidades femininas e masculinas, retribuem a cura do vício com algo mais: um tempo de missão dedicado à entidade.

Na Fazenda sede de Guaratinguetá há uma Escola de Comunhão. Ali se formam os novos líderes, que serão enviados a abrir novas unidades de tratamento.

«Montamos uma equipe com cerca de 10 a 15 pessoas, sendo responsáveis nossos e também ex-recuperandos missionários, que irão iniciar as atividades de uma nova Fazenda da Esperança», conta Rautenberg.

Desde a visita do Papa, oito novas Fazendas foram inauguradas. Há 50 delas espalhadas pelo mundo, sendo a maioria no Brasil. Mas já há unidades, por exemplo, na Rússia e nas Filipinas.

No momento da despedida de Bento XVI da Fazenda de Guaratinguetá, ao agradecê-lo, frei Hans foi mais uma vez surpreendido pelo carinho do Santo Padre, que lhe disse: «eu que o agradeço, pois passei duas horas de profunda alegria com os jovens aqui».