Aprofundar a co-essencialidade entre a dimensão magisterial-petrina e a carismático-mariana da Igreja

Proposta do Cardeal João Braz de Aviz na inauguração do ano acadêmico do Studium do dicastério para os religiosos

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Maria Emília Marega

ROMA, quarta-feira, 31 de outubro de 2012(ZENIT.org) - No princípio era chamada escola prática do dicastério e agora transformou-se em Studium: Escola interdisciplinar para a formação para o  magistério eclesial e para o ordenamento canônico sobre a vida consagrada na Igreja, dedicada a Bento XVI. 

A proposta para o ano acadêmico 2012-2013 é aprofundar «a co-essencialidade entre a dimensão magisterial-petrina e a carismático-mariana da Igreja» e relançar «a espiritualidade de comunhão», afirmou o cardeal João Braz Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de vida consagrada e as Sociedades de vida apostólica, na inauguração do biênio em 24 de outubro.

Em noticia publicada hoje pelo L`Osservatore Romano o cardeal brasileiro explicou estes dois horizontes que considera necessários para qualquer reflexão sobre a vida religiosa.

Sobre o primeiro aspecto - co-essencialidade entre a dimensão institucional e a dimensão carismática da Igreja – destacou que o ponto de aprofundamento do Concilio Vaticano II sobre a Igreja foi exatamente a recuperação de sua natureza carismática.  Especialmente com a Lúmen gentium que mostra o grande “protagonista”, o Espírito Santo, foi possível redescobrir a presença e a função dos carismas, e a dimensão carismática da Igreja como co essencial junto àquela institucional.

Além disso, prosseguiu Dom João, o enfoque “da dimensão institucional e da dimensão carismática como co essenciais à identidade e à missão da Igreja remete a outro binômio evidenciado por João Paulo II: a relação entre o perfil petrino e o perfil mariano”. O afirma em seu discurso à Cúria Romana em 22 de dezembro de 1987, onde João Paulo II refaz a idéia proposta pelo teólogo suíço Hans Urs Von Balthasar, “segundo o qual a idéia institucional e ministerial da Igreja representa o principio (perfil) petrino, enquanto o profético/ carismático pode ser definido como o principio (perfil) mariano. Maria a primeira crente e então modelo de todo cristão e de toda a Igreja, não há na comunidade dos que crêem uma tarefa institucional; apenas revestida pelo Espírito Santo, sintetiza em si todos os dons da graça que a Igreja recebe de Deus para ser santa.

O Cardeal citou também como fundamento a exortação apostólica Vita consacrata, que compreende a elaboração doutrinal do Sínodo especial de 1994 sobre os religiosos e a missão na Igreja e no mundo, para reafirmar "o caráter divino da fundação de Vida Consagrada e carismática e ao mesmo tempo a co-essencialidade do carisma em relação ao ministério”.

O segundo aspecto – os religiosos e a comunhão na Igreja – ainda está a indicar o caminho João Paulo II na Carta apostólica Novo millennio ineunte (2001) como tarefa de toda a Igreja. “Fonte e modelo de comunhão entre os que formam o único povo de Deus, prosseguiu o cardeal citando a Lumen gentium, está a Trindade, a ponto de definir a Igreja ‘um povo que deriva da unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo’”. E se toda a Igreja deve viver a comunhão no modelo trinitário, os consagrados são os “especialistas”, porque “esta é a essência da escolha de vida deles: a união com Deus e a união entre eles na vida fraterna”.

Na verdade, "apesar da variedade de inspirações e formas em que se expressa historicamente, a vida consagrada sempre foi consciente de ter que olhar não apenas o exemplo de comunhão indicado pelos Atos dos Apóstolos na comunidade cristã primitiva de Jerusalém - onde todos eram "um só coração e uma só alma" (4, 32) -, mas ainda mais radicalmente o seu modelo original, o protótipo da comunhão das três pessoas divinas na Trindade”. E a este respeito, o cardeal destacou que "a vida de comunhão de caráter trinitário, que é a identidade e missão da Igreja, em primeiro lugar, e depois da vida consagrada, é acima de tudo um dom, caso contrário, seria uma reivindicação ‘sobre-humana’ e se tornaria um ideal impossível de ser alcançado”.

Em entrevista ao jornal L`Osservatore Romano, Irmã Nicla Spezzati, diretora do Studium, explica que «a atual proposta da Escola interdisciplinar antes de tudo é expressão firme do nosso dicastério no desejo de acompanhar a vida consagrada nas culturas contemporâneas a fim de que amadureça na fé o seu valor evangélico e eclesial, para saber viver a própria vocação e missão de modo adequado, persuasivo e eficaz no nosso tempo.

O Studium é dirigido a: responsáveis por serviços relacionados ao governo (exempli gratia: secretárias e secretários gerais e provinciais; procuradores e procuradoras; superiores e superioras); vigários episcopais e / ou delegados para a Vida Consagrada; responsáveis pela formação; responsáveis pelo programa formativo nos seminários  diocesano e faculdades internacionais; sacerdotes na função de animar e acompanhar a Vida Consagrada; consagrada/o que deseja cuidar da própria formação; aqueles que têm interesse na pesquisa em relação ao Magistério eclesial e Normativa canônica relativo à vida consagrada na Igreja.