Arcebispo Celli: papel de Deus na mídia

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DALLAS, terça-feira, 10 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- Deus tem um papel na mídia e a Igreja deveria evangelizar as almas através de todos os meios de comunicação atuais, sustenta o presidente do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais. O arcebispo Claudio Maria Celli afirmou isso em uma intervenção sobre «O papel da comunicação de massas na evangelização», durante uma conferência promovida pela New Evangelization of America, concluída em 1º de fevereiro. 

O presidente do dicastério vaticano falou da natureza inter-relacional do Deus trinitário, como base teológica para compreender a importância da comunicação, sublinhando que esta última «não é só outra atividade da Igreja, mas a verdadeira essência de sua vida». 

«A comunicação da boa notícia do amor de Deus para todos os homens, como está expressa na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, é o que unifica e dá sentido a todos os outros aspectos da vida da Igreja», observou. 

Segundo o prelado, sem comunicação não há evangelização e os meios de comunicação que estão emergindo deveriam ser usados para tal fim. Por isso, sublinhou a importância de estar preparados tanto técnica como culturalmente. 

O arcebispo explicou que «há duas dimensões desta necessária atenção cultural: em primeiro lugar, é importante que o comunicador ou o evangelizador conheça a cultura geral do próprio público – conhecer suas preocupações, temores e esperanças; em segundo lugar, deve estar familiarizado com os desafios culturais específicos apresentados pelo ambiente dos novos meios de comunicação quando as mudanças da tecnologia provocaram modificações significativas nas tendências de consumo da própria mídia». 

O prelado expressou sua esperança com relação ao contexto cultural, visto que os homens são criados à imagem de Deus, independentemente do fato de que o reconheçam. 

«Tendo sido criados à imagem e semelhança de Deus, está arraigado na natureza humana o desejo de ser amados e de amar. Esta intuição me dá uma confiança absoluta no fato de que a mensagem central do Evangelho continuará ressoando no coração dos homens», disse. 

«Nossa missão – acrescentou – é levar a boa notícia do infinito amor de Deus a todos os nossos irmãos e irmãs, como o maior serviço que lhes podemos fazer.»

«Nossa evangelização não tem a ver nunca com nossos números ou uma maior influência, mas se preocupa por libertar as pessoas dos falsos deuses que podem invadir sua existência de modo simples e furtivo.»

O presidente do dicastério vaticano sublinhou a necessidade de «fazer frente à cultura da mídia específica que está nascendo no contexto da atual revolução das tecnologias da comunicação». 

Por isso, falou do desafio proposto à Igreja para que considere «como tratará de comunicar sua mensagem na nova cultura das comunicações que está emergindo». 

A lógica das comunicações, acrescentou, «foi radicalmente modificada: a atenção sobre a mídia foi substituída por uma concentração no público, que é cada vez mais autônomo e deliberativo em seu consumo de informação». 

O arcebispo recordou a necessidade de estudar os novos modelos sobre o uso dos meios de comunicação, seu efeito sobre o público e o desenvolvimento de formas dialógicas ou interativas de «ensinamento e apresentação». 

As comunidades e as redes, observa, formam-se através da internet e criam um «continente digital» no qual «quase um terço da humanidade» se reúne para «buscar informações, expressar os próprios pontos de vista e crescer na compreensão». 

«Deus e a religião não estão excluídos desta esfera da mídia, ao contrário, ambos têm um novo papel social nela, e são temas de debate em uma espécie de ‘busca de sentido global’.»

«A Igreja é parte deste coro, uma voz entre outras, que proclama a imagem de Deus que o Senhor Jesus revelou no Evangelho.»

O arcebispo Celli reconheceu a presença da Igreja neste «continente», através dos sites das organizações e dioceses católicas, os blogs de sacerdotes e religiosas e outras páginas web. 

«Devemos desenvolver uma presença mais estratégica – comentou. Devemos garantir uma apresentação mais eficaz, articulada e coesa da Boa Nova. Deve-se promover a comunhão entre as milhares de iniciativas que já estão emergindo.»

«Cada um tem seu carisma específico, mas todos estão chamados a refletir a missão universal da Igreja», exortou. 

Neste sentido, recordou um novo projeto desenvolvido pelo Conselho Pontifício: uma base de dados das emissoras de rádio e televisão católicas quanto à difusão e produção, Intermirifica.net

«Espera-se ampliar também a base de dados, inclusive listas de podcast católicos, agências de notícias, jornais e departamentos de comunicação das universidades católicas.»

O arcebispo concluiu sua intervenção pondo o exemplo de São Paulo, «cujo empenho na proclamação da Boa Nova a todos os povos o levou não só a viajar incansavelmente, mas a esforçar-se de modo desinteressado em compreender o universo daqueles que ele evangelizar». 

«O empenho de chegar aos outros exige a vontade de mudar para ser testemunhas mais claras e autênticas da fé que proclamamos», concluiu.