Arcebispo convida leigos a construírem comunidade política com base ética

É um dos desafios dos discípulos de Cristo, diz Dom Walmor Oliveira de Azevedo

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Por Alexandre Ribeiro

BELO HORIZONTE, sexta-feira, 16 de maio de 2008 (ZENIT.org).- O arcebispo de Belo Horizonte (Brasil), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, chamou os leigos católicos ao compromisso no campo político, tendo a ética como horizonte para a construção de uma sociedade mais justa.

«No horizonte do discipulado está, pois, a exigência de se iluminar com a luz do Evangelho todos os âmbitos da vida social e política», escreve o arcebispo, em artigo enviado a Zenit esta sexta-feira.

Segundo Dom Walmor, esta tarefa «é desafiadora, por exigir coerência e fidelidade, e é, ao mesmo tempo, desafiada por um antigo laicismo exacerbado vigente na concepção da democracia».

Em sua atuação no campo político, uma das contribuições dos discípulos de Jesus é trabalhar para que, no contexto das disputas eleitorais, «o foco das discussões e encaminhamentos políticos» não gire em torno «dos interesses e conchavos partidários, grupais e outros, até espúrios», o que gera «prejuízos para a sociedade». 

«Estes prejuízos se contabilizam quando a comunidade política funciona em torno de si mesma, das seduções pelos cargos e poderes, dos projetos pessoais, dos domínios regionais e da vergonhosa tendência de fazer valer interesses mais restritos.»

De acordo com o arcebispo, «este fluxo vem em detrimento do bem comum que a democracia exige como sua consolidação e autenticidade».

O arcebispo considera que se constata facilmente, nas discussões políticas, o «vício que se configura ao se girar em torno de encaminhamentos e opções que deixam de fora as discussões substantivas acerca das questões sociais e políticas de interesse da sociedade, na sua expectativa por uma ordem social e econômica mais justa». 

Neste sentido --prossegue--, «a discussão política se reduz a interesses e alianças partidárias sem incluir, suficientemente, avaliações do funcionamento das cidades, regiões metropolitanas e outras carências que estão encarcerando os mais pobres de maneira desonesta e perversa».

De acordo com Dom Walmor, aqui a Igreja tem a tarefa, «com contribuição específica, à luz de sua Doutrina Social, de participar e colaborar na definição e conquista de políticas sociais e econômicas que atendam as várias necessidades das populações».

Neste percurso --explica o arcebispo de Belo Horizonte-- «é preciso fomentar uma fecunda confluência das perspectivas éticas e humanísticas com as discussões próprias da comunidade política, com a participação de outros segmentos da sociedade, pela configuração de novos cenários sociais e políticos». 

«Por isso mesmo, a comunidade política não pode perder de vista sua razão primeira de serviço ao bem comum e sua responsabilidade na implantação e manutenção de uma ordem social e econômica justa», afirma.

«Não se pode abandonar, nesta empreitada, a iluminação singular e insubstituível que vem de uma perspectiva ética, solidária e autenticamente humanista», acrescenta.

Do contrário --afirma Dom Walmor--, «as conquistas reconhecidas, no âmbito social e político, serão carcomidas pelo recrudescimento da corrupção na sociedade e no Estado».