Arcebispo de Bruxelas, preocupado pela situação de seu país

Bispos da Bélgica se encontram em Roma em visita “ad limina apostolorum”

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Por Carmen Elena Villa

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 4 de maio de 2010 (ZENIT.org).- A difícil situação na Igreja, unida aos conflitos entre pessoas de idioma francês e holandês, e a assunção da presidência da União Europeia no próximo dia 1º de julho, são alguns aspectos do contexto em que os bispos belgas chegaram em Roma para realizar sua quinquenal visita ad limina apostolorum.

Bruxelas conta com uma arquidiocese, sete dioceses e um ordinariado militar. Até o próximo sábado, dia 8 de maio, os prelados belgas visitarão dicastérios da Santa Sé, apresentarão seus planos pastorais e terão também uma reunião com o Papa Bento XVI.

Há somente 10 dias, o bispo de Bruges, Dom Roger Joseph Vangheluwe, apresentou sua renúncia por estar envolvido no passado em um caso de pederastia, quando era sacerdote e no início de seu episcopado.

Referindo-se ao tema, o arcebispo de Bruxelas e presidente da Conferência Episcopal da Bélgica, Dom André-Joseph Leonard, considerou diante dos microfones da Rádio Vaticano que "certamente vamos tratar de questões dolorosas que têm surgido em nosso país".

"É inevitável falar desse assunto e das medidas que devemos tomar para enfrentar essa situação", assegurou o prelado.

Quanto às relações entre os bispos desse país, o arcebispo disse que, apesar de ser uma pequena conferência episcopal, "entre nós existe uma grande solidariedade".

"Também nesses dias fiquei muito comovido sobre como temos estado unidos", expressou. E disse que a visita ao túmulo de Pedro durante essa viagem à Cidade Eterna "é também para nós um momento privilegiado para aprofundar interiormente nos laços de comunicação e de amizade que já nos unem".

Dividir a Bélgica seria a solução?

Quanto aos conflitos linguísticos e políticos que levarão esse país a eleições antecipadas, o presidente da Conferência Episcopal Belga garantiu que a Igreja deve ser "muito cautelosa" ao se referir a estes temas. Garantiu também que é necessário "fazer sentir a própria voz junto com outras da sociedade belga".

"Pode fazer-se como fazem os movimentos leigos, as outras igrejas, religiões e contribuir assim para um diálogo entre as comunidades", disse.

Dom Léonard assegurou que está convencido que seu país superará a crise atual e considera que dividi-lo é uma solução "pouco realista, até mesmo porque Bruxelas não é só a capital da Bélgica, mas também a capital da Europa e é por isso que torna inviável uma aventura separatista".

Ao invés disso, ele disse que essa crise pode levar o país a um sistema mais federal, "mas será conservada a unidade, porque mantém o realismo".

Dom Léonard não considera que a atual crise étnica e linguística acabará em uma grande guerra civil: "somos pessoas realistas, tranquilas e estamos de acordo com outras comunidades linguísticas".

Os idiomas oficiais na Bélgica são o francês, holandês e o alemão. Para Dom Léonard, esse fato não divide, mas une a fé dos belgas e se converte em "uma oportunidade para o país e para a Igreja, porque há sensibilidades complementares, uma diversidade que por si só é uma riqueza".

O Evangelho em uma sociedade secularizada

Dom Léonard disse ainda que em seu país há muitos desafios para anunciar o Evangelho em uma sociedade cada vez mais secularizada, especialmente no que se refere a temas de bioética e de diálogo inter-religioso, devido à imigração de países muçulmanos.

Qualificou como "particularmente grave" o tema da crise de vocações. E disse esperar o aprofundamento desse aspecto durante a atual visita ad limina.

Mas como o catolicismo é visto pela sociedade belga? O arcebispo disse que encontra "uma espécie de desconfiança, de suspeita".

Contudo, garante, quando é bem explicado em seu conjunto, a palavra da Igreja, "a mensagem é assimilada muito bem", especialmente quando se mostra "coerência e sensibilidade pelo que nós vivemos".

Os católicos praticantes na Bélgica são poucos. Em Flandres, disse o bispo, a prática é maior. Atualmente, a voz da Igreja nesse país é considerada "uma voz entre as outras, uma voz importante, mas uma a mais entre as outras".

Por isso, disse o arcebispo, a evangelização nesse país não pode ser como a de 30 ou 40 anos atrás. É necessário desenvolver o que ele considera "uma pastoral de duas velocidades": continuar com a catequese e a preparação para os sacramentos e aproveitar estas instâncias para "acompanhar as pessoas, ajudá-las a aprofundar em suas necessidades"; e, ao mesmo tempo, "incentivar as forças vitais provenientes das paróquias, dos movimentos e das comunidades que querem evangelizar para ir mais longe, mais profundo".