Arcebispo de Dublin: uma Igreja dividida alienará os jovens

Prelado irlandês explica a Igreja no mundo moderno

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Junno Arocho

DUBLIN, quarta-feira, 13 de junho de 2012 (ZENIT.org) - O arcebispo de Dublin, dom Diarmuid Martin, deu a primeira palestra do 50º Congresso Eucarístico Internacional nesta segunda-feira (11). O tema foi a Igreja no mundo moderno, com enfoque nas mudanças e no seu papel dentro da cultura e da sociedade atual.

O arcebispo falou da influência exercida pela constituição pastoral Gaudium et Spes ao apontar a necessidade da fé para mudar o mundo. Na palestra, ele também recordou os inícios da sua vocação no seminário e o afeto que recebeu da sociedade irlandesa.

“Em um determinado momento da cultura da Igreja na Irlanda, que era tradicional e autoritária, foi registrado um momento de transformação e uma emocionante noção de diálogo entre a Igreja e a cultura do mundo moderno. A Igreja, ao se identificar com as aspirações da humanidade, estava praticamente se revelando para os nossos jovens ouvidos”, afirmou.

“Mais do que dizer ao mundo o que ele deveria fazer, a Igreja escutou o que a cultura moderna queria dizer, inclusive para a Igreja. A novidade deste documento, da Gaudium et Spes, foi tão grande que o concílio teve que marcar um novo prazo para que ele pudesse entrar na categorização de documentos do concílio ecumênico: como constituição pastoral”.

O arcebispo irlandês reconheceu que a constituição chegou em um momento crucial da história da Igreja na Irlanda. Uma das quatro constituições apostólicas do final do concílio, a Gaudium et Spes foi promulgada por Paulo VI propondo uma visão sobre a Igreja católica que reforça as relações humanas voltadas para a sociedade, cobrindo diversos aspectos como a cultura, a política, a justiça social e o ecumenismo.

Refletindo sobre o período que vai da chegada da constituição pastoral até a situação política e social na Irlanda de hoje, durante o qual cresceu a secularização na ilha, o arcebispo destacou a necessidade do chamamento de João Paulo II e de Bento XVI a uma nova evangelização na Europa, que é de suma importância diante das transformações do mundo atual.

“Nós estamos discutindo na Irlanda, talvez pela primeira vez, sobre a necessidade de uma radical renovação da proclamação do evangelho para as pessoas que já foram batizadas e que não mantêm uma relação real com Jesus Cristo há muito tempo”.

“O evangelho tem que ser pregado sempre com coragem, até nos permitir achar o caminho na vida dos povos”, completou. “Resignar-se e deixar as coisas como elas estão nunca vai nos permitir renovar a Igreja. Uma Igreja dividida e com rixas não vai atrair os jovens, só vai aliená-los. E ninguém tem que ter medo da mensagem do evangelho".

O arcebispo irlandês concluiu a palestra esperançoso de que o Congresso Eucarístico Internacional ajude a unir a Igreja e a sociedade, particularmente na Irlanda. “A minha esperança é que este congresso seja um marco na nossa comunhão com Cristo na eucaristia e gere um novo entendimento da comunhão de cada um com os outros no mundo moderno, que hoje em dia é muito diferente do que foi nos anos 60 e, no futuro, será mais diferente e desafiadora ainda”.

Tradução:ZENIT