Arcebispo pede coragem no caminho do discipulado

Religião não deve ser usada para tirar proveito, diz Dom João Braz de Aviz

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Por Alexandre Ribeiro

BRASÍLIA, sexta-feira, 25 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Na confiança de que Jesus, ao partir para junto do Pai, «nos deu um outro Defensor», o arcebispo de Brasília chama à «coragem de percorrer um caminho sincero de discípulos do Senhor».

Ao se aproximar a solenidade da Ascensão do Senhor, que a Igreja celebrará no domingo 4 de maio, Dom João Braz de Aviz explica que «a partida de Jesus do meio de nós, depois de sua convivência conosco desde o nascimento até a morte na cruz e a ressurreição, não significará seu afastamento de nós».

«Ele nos deu um outro Defensor, para que permaneça sempre conosco: o Espírito da Verdade», destaca, no contexto do evangelho deste domingo.

De acordo com o arcebispo, com a partida de Jesus completa-se a obra misericordiosa do Senhor, porque Jesus vai para o Pai.

«Como nós estamos nele e Ele em nós, com Jesus nós também estamos no Pai. Por isso desde agora nós não somos órfãos, mas filhos amadíssimos que vivem na intimidade da Santíssima Trindade.»

«Que aventura estupenda a nossa!», afirma o arcebispo, enfatizando que, por ora, a coisa necessária é acolher e observar todos os mandamentos de Jesus para ser amado por Ele e pelo Pai.

Dom João considera que hoje se vive em «uma cultura que gera o individualismo e nos empurra para viver cada um por si».

«Para muitos a relação com Deus vai se tornando um bem de consumo adaptado apenas às exigências pessoais do momento. Não raro muitos de nós experimentamos uma solidão insuportável.»

Por isso, acredita o arcebispo, «ouvir essas palavras de Jesus: “Não vos deixarei órfãos” é receber o que de mais consolador podemos experimentar. O Senhor continua conosco na Igreja, na sua palavra, na Eucaristia, na comunidade, onde dois ou três estão reunidos em seu nome, isto é, em seu amor».

O arcebispo de Brasília destaca que cabe a nós procurar Cristo. «Não podemos mais nos contentar em nossa experiência religiosa com um pouco de tradição, com o seguimento de algumas regras morais, com a aceitação de algumas partes selecionadas do evangelho, que escolhemos de modo a favorecer nosso egoísmo».

«Pior ainda se continuamos homens e mulheres “religiosos”, mas usamos a religião para outras finalidades como tirar proveito, ganhar dinheiro, criar ilusões com promessas fáceis, através de linguagens sedutoras.»

Diante disso, Dom João convida à «coragem de percorrer um caminho sincero de discípulos do Senhor».