Arcebispo pede fim da lama da corrupção

“Indagar a Deus com disposição de obediência a Ele”, indica D. Walmor de Azevedo

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BELO HORIZONTE, sexta-feira, 21 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – É urgente mudar a conduta cidadã de cada um para combater a lama da corrupção, afirma o arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo.

Em artigo divulgado à imprensa nesta sexta-feira, o arcebispo evoca, do “álbum da triste violência das águas que caíram na região serrana do Rio de Janeiro, produzindo cenário devastador”, a imagem de uma igreja atingida pela lama que desceu da encosta.

Segundo Dom Walmor, “há também outro tipo de lama que nos preocupa – a da corrupção existente nas instituições da sociedade contemporânea”.

“Lama que se expressa na rapidez da aprovação de benefícios em favor de grupos e de classes, já privilegiados em relação aos que estão na carência e na miséria, causando indignação nos que se pautam pela conduta cidadã.”

“Quando vai mudar a conduta social, política, governamental? – questiona o arcebispo –. Como mudar, cada um, a sua conduta diante dos rumos dados à vida de todos, com nefastas consequências, como o banho de lama que sujou a sociedade brasileira?”

Segundo Dom Walmor, “é urgente mudar a conduta cidadã de cada um para debelar a cultura da malandragem, do tráfico que se associa à cultura da disputa insana pelo poder, com a troca de favores, benesses e cargos”.

Isso “para não deixar cair no esquecimento” o sentido de que os mandatos e o poder que se exercem são “um serviço que se deve prestar à sociedade e à vida”.

O arcebispo afirma que não falta quem pergunte a Deus “as razões desse desastre lamentável” no Rio de Janeiro.

“No reverso desta interrogação é preciso indagar a Deus com disposição de obediência a Ele, com escuta autêntica e eficaz: como se comportar e ter conduta adequada no trato com a coisa pública e no respeito pleno à dignidade de cada pessoa, para evitar sofrimentos e dores tão grandes.”

Dom Walmor considera que aquela igreja que suportou o peso da lama “é referência fundamental na comunidade devastada”.

“Ali a congregação que se reúne para escutar a Palavra de Deus e celebrar a vida, pela força da fé, como dom precioso que vem d’Ele, forjou, certamente, muitos corações em sintonia com o bem, a exemplo das solidariedades que nesta hora difícil estão se concretizando, revelando o segredo que faz do coração humano lugar do amor e do compromisso com a justiça.”

Segundo o arcebispo, “a força da fé tem sustentado os que sofrem as maiores consequências. Também tem projetado aqueles que se enfileiram com gestos de solidariedade e partilha”.

“O sentido social e de pertença a um mesmo povo recebe fecundidade própria da força da fé, que gera a cultura da bondade no coração e faz encontrar o sentido maior de tudo na alegria de ser bom - porque é bom ser bom.”

Uma igreja “não é lugar de promessas milagrosas e mirabolantes - é verdade que Deus pode tudo!”

“Ela é lugar de encontro com Deus no exercício permanente da escuta de sua Palavra, fazendo brotar a permanente novidade da consciência moral fundada nos valores do Evangelho.”

“É a demanda de tecer a cultura da bondade, da solidariedade e da justiça. A Igreja tem com sua razão de ser e seus valores, a missão de estar presente e atuante, sempre ao lado de quem precisa”, afirma.