Arcebispo pede «obra educativa» para enfrentar perda de valores e de sentido

Segundo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, é urgente a «formação das mentes»

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BELO HORIZONTE, sexta-feira, 16 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Num contexto atual de dissolução dos valores e perda de sentido da vida, o presidente da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), pede uma urgente obra educativa.



Segundo afirma Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte (sudeste do Brasil), em artigo difundido essa semana pelo site de sua arquidiocese, «é importante ter presente que o sentido, da vida, das escolhas, do trabalho, das opções, é que define rumos e mantém a pessoa na direção certa».

Dom Walmor assinala que «é impressionante constatar a perda de sentido que vai avassaladoramente atingindo a humanidade».

«Uma perda de sentido que vai operando uma mudança grande dos paradigmas e liquefazendo os valores. A liquefação de valores, naturalmente, atinge de modo frontal as concepções básicas e sustentadoras da vida vivida com sentido profundo e por razões que garantem uma indispensável clarividência a respeito das coisas.»

Segundo o arcebispo, estas conseqüências atingem a humanidade toda. Atingem, por exemplo, «de maneira muito perversa», a juventude, num momento da vida em que se está «em pleno processo de definições e de configuração de suas consistências».

«Os resultados estão estampando preocupantes configurações quando os jovens vão sendo empurrados para lidar, por exemplo, com a morte de uma maneira muito banalizada.»

«Matar ou morrer não remete o indivíduo a núcleos mais profundos. Pelo contrário, parece remeter a uma concepção ilusória e banalizada a respeito da vida. A vida é tratada de maneira muito superficial, por incapacidade e despreparo», afirma.

Nesse contexto, o arcebispo afirma que se tornam urgentes os investimentos grandes na formação das mentes.

«A obra educativa na sociedade há de ter como meta primordial, visando em particular à juventude, o grave dever de inculcar valores e produzir uma nova mentalidade.»

«Uma nova mentalidade calcada na concepção e na vivência de valores. O tempo passa e apelos feitos no passado cresceram na sua urgência», destaca.

De acordo com o arcebispo, «é hora de apostar na proposta de itinerários para formar a consciência e dar configurações novas à mentalidade. É hora de convencer a humanidade da necessidade de viver um discipulado, abandonando a pretensão da cobiçada condição de mestre».

«É hora de uma sedução pela condição de discípulo. O itinerário próprio do ser discípulo pode debelar os processos que estão ditados pelo espírito de domínio, desprezo, inveja e soberba», afirma Dom Walmor.