Arcebispo Ravasi: Levar Deus através das brechas do secularismo

Anuncia-se um congresso internacional sobre «A Igreja diante do desafio da secularização»

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CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 7 de março de 2008 (ZENIT.org).- Nessa quinta-feira, inaugurou-se a Assembléia Plenária do Conselho Pontifício da Cultura, sobre o tema «A Igreja diante do desafio da secularização». O evento acontece em Roma até 8 de março.

Na abertura, Dom Gianfranco Ravasi, presidente do dicastério vaticano, dirigindo-se aos cerca de 45 membros e consultores, sublinhou a necessidade de uma visão positiva do mundo e das culturas.

Isso porque «o grande risco é o da indiferença que não propõe perguntas que transcendam o próprio horizonte», lê-se em uma nota difundida pelo Conselho Pontifício da Cultura.

Contudo, «no homem, saciado e aparentemente incapaz de fazer-se os questionamentos importantes, há espaço para fazer Deus entrar, através das brechas produzidas pelo secularismo», disse Dom Ravasi.

«Com efeito -- recordou --, Deus não está morto, o tempo secular só lhe está pedindo os documentos».

O arcebispo Gianfranco Ravasi assinalou alguns itinerários, como a relação entre fé e ciência. Neste sentido, anunciou um congresso internacional sobre «As teorias da evolução para encontrar e para fazerem-se encontrar a ciência, teologia e filosofia».

«Será este um itinerário muito importante porque verá convergir aqui em Roma, na Universidade Gregoriana e sob nosso patrocínio, por um lado figuras altíssimas da ciência; há também prêmios Nobel, e por outra parte grandes teólogos e grandes filósofos», comentou o prelado aos microfones da Rádio Vaticano.

«De maneira que cada um de nós possa olhar mais além de nossa fronteira -- disse --: o cientista que se interroga e que escuta também a interrogação da teologia e o teólogo e o filósofo que escutam e que vêem os itinerários da ciência».

«O esforço nosso será, portanto, compreender verdadeiramente os rostos dos povos e das culturas, a partir por exemplo das grandes culturas asiáticas, das africanas e das da América Latina», explicou o arcebispo Ravasi.

Em sua intervenção, Dom Joseph Doré, arcebispo emérito de Estrasburgo, centrou-se na secularização como desafio teológico, cultural e pastoral.

As questões que surgiram foram: Como ser povo de missionários a respeito da secularização? Como sustentar as culturas da África frente ao desafio das migrações, e que prioridades pastorais para a Igreja na Ásia tradicional e que função pode realizar um autêntico diálogo inter-religioso?

O que se sublinhou, lê-se na nota, é que «a inculturação e o diálogo inter-religioso parecem opções irrenunciáveis, com a condição de que se parta de uma identidade clara».