Argélia: sacerdote católico condenado por rezar

O Pe. Pierre Wallez, primeira vítima da nova lei de culto

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CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Um sacerdote católico foi condenado pelo tribunal de Oran, a 400 quilômetros de Argel, a um ano de prisão, por ter «dirigido uma cerimônia religiosa em um lugar que não foi reconhecido pelo governo». 

O Pe. Pierre Wallez é a primeira vítima da lei aprovada em março de 2006 «sobre o exercício das práticas de culto não-muçulmano», neste país norte-africano de 33 milhões de habitantes, e 99% de muçulmanos.

Falando aos microfones da «Rádio Vaticano», o arcebispo de Argel, Dom Henri Antoine Marie Teissier, explicou que «o mais surpreendente é que a condenação foi emitida simplesmente porque o sacerdote visitou um grupo de cristãos do Camarões. Não havia celebrado missa, mas só recitou uma oração junto com eles. Era 29 de dezembro, pouco depois do Natal».

O prelado declara que não se aplicou a condenação do ano de prisão contra o sacerdote, pois o tribunal decidiu aplicar o estado de liberdade condicional.

«Obviamente, todos nós estamos muito consternados pela decisão que se tomou contra nosso irmão», confessa o arcebispo.

Segundo informa o jornal Avvenire, junto ao Pe. Wallez (de origem francesa) também foi condenado a uma pena mais dura (dois anos sem liberdade condicional) um jovem médico muçulmano, por ter utilizado medicamentos «pagos pela Cáritas», afirmam fontes do arcebispado de Argel.

«Rejeitam sistematicamente os vistos de entrada para nossos hóspedes – declara o arcebispado – e em novembro se retirou a permissão de residência a quatro jovens sacerdotes brasileiros que trabalhavam com os imigrantes africanos de língua portuguesa.»

Na Argélia, o Islã é a religião de Estado, e a liberdade de culto está garantida pela Constituição. A nova lei de culto buscava sobretudo controlar grupos proselitistas evangélicos clandestinos que, como explica Dom Tessier, «fizeram um pouco de barulho pela conversão de alguns fiéis».

A lei, composta de 17 artigos, proíbe o exercício do culto islâmico fora dos edifícios aprovados pelas autoridades.

Um artigo prevê uma multa entre 500 mil e 1 milhão de dinares (de 5 a 10 mil euros) e entre 2 e cinco 5 de prisão contra «quem mude a função originária dos lugares de culto» ou «incite, obrigue ou utilize métodos persuasivos para fazer um muçulmano abraçar outra religião».

As mesmas penas se aplicam também contra quem «produz, armazena ou distribui publicações ou material em áudio e vídeo, ou outros meios orientados a minar a fé islâmica».