Argentina: o perigo de considerar a droga normal

Igreja alerta sobre diminuição da percepção do risco

Madri, (Zenit.org) | 370 visitas

A Igreja na Argentina lançou um alerta sobre “a crescente tolerância social às drogas”, a “diminuição da percepção do risco” e a “exclusão social” que as drogas provocam.

O alerta foi divulgado pela Pastoral Nacional sobre a Dependência Química nesta segunda-feira, 10 de junho, com a apresentação de um relatório na sede da Conferência Episcopal Argentina.

O ato foi presidido por dom Jorge Lozano e pelos membros da comissão, Horacio Reyser, Horacio Castellano e o pe. José Maria “Pepe” Di Paola, antecipando o Dia Mundial de Luta contra o Uso Indevido e o Tráfico Ilícito de Drogas, instituído pelas Nações Unidas e marcado para o dia 26 deste mês.

Dom Jorge Lozano afirma que "a venda de drogas é identificada hoje como legítima" e que existem setores sociais que veem "com naturalidade o fato de uma criança se drogar nas ruas". Prefere-se “criminalizar o viciado” a "encarar as consequências e decisões" necessárias.

“A questão da droga”, disse Horacio Reyser, “é conhecida pela sociedade, mas é não assumida como tal. A educação é fundamental. Regiões diferentes, problemáticas diferentes”. E acrescentou um agravante: “Notamos uma alta tolerância social ao consumo, com uma diminuição na percepção do risco”.

Conforme foi afirmado pelo beato João Paulo II, prosseguiu Reyser,“o problema da dependência das drogas é um problema de todos. E tem que ficar bem claro, a mensagem que enviamos aos nossos jovens tem que ser bem clara: não é bom você se drogar".

Castellanos, por sua vez, destacou a importância "da capacitação em matéria de dependência de drogas” como “ferramenta de desenvolvimento na formação de agentes que trabalham com os viciados".

O pe. Pepe Di Paola, conhecido pelo trabalho contra o uso das drogas na “Villa 21” do bairro de Barracas, em Buenos Aires, apresentou o documento “NÃO CRIMINALIZEMOS O DEPENDENTE”, enfatizando que "o usuário não deve ser tratado como um delinquente, mas como um irmão”.

O padre precisou que este assunto é de responsabilidade do Estado, “mas também da sociedade civil”, já que “a prevenção e a recuperação são fundamentais para encarar esta questão”.

E convidou a sociedade a “encarar o problema no conjunto de tudo o que envolve o jovem: a sua vida, a sua família, a sua saúde, se ele tem trabalho, se ele estuda".