Arquidiocese de Acapulco pede colaboração entre México e Estados Unidos

No tratamento aos migrantes e na violência derivada do tráfico de armas

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ACAPULCO, segunda-feira, 31 de maio de 2010 (ZENIT.org). Em uma declaração oficial intitulada "Contas pendentes entre o México e o Estados Unidos", de 24 de maio, a arquidiocese de Acapulco (México) pediu responsabilidade para os presidentes do México e do Estados Unidos no tratamento com os migrantes e quanto à violência derivada do tráfico de armas.

A arquidiocese de Acapulco tornou público o comunicado aproveitando a visita do Presidente Felipe Calderón aos Estados Unidos, que descreve como "oportunidade para colocar à mesa dois pontos críticos e dolorosos que representam contas pendentes entre os dois países: o tratamento dado aos migrantes mexicanos e à violência no México relacionada ao tráfico de armas provenientes do vizinho ao norte".

Perante o Congresso dos Estados Unidos, explica a declaração "o presidente do México exigiu duas coisas: pediu legislação que detenha o tráfico de armas daquele país para o México e reprovou a lei Arizona, pedindo que seja feita uma reforma migratória integral. Ambas as demandas geraram reações contrárias entre os legisladores norte-americanos".

"Não houve um tratamento humanitário a esta questão, pois prevaleceram critérios econômicos e pragmáticos no modo de abordar a situação de milhões de estrangeiros ilegais mexicanos e de outros países foram para o Estados Unidos procurar oportunidades melhores de vida."

No que concerne ao tráfico de armas, a arquidiocese verifica que "nos Estados Unidos prevalecem legislações liberais que permitem seu comércio de um modo indiscriminado, com um efeito negativo para o México".

"O crime organizado - sublinhou - desenvolveu um grande poder apoiado nas grandes quantias de dinheiro que maneja e na facilidade para obter armas de um modo ilegal. E é sabido que a grande maioria das armas que está em suas mãos vem do país do norte."

Perante esta situação, a arquidiocese espera "co-responsabilidade entre os dois governos".

"Da parte do governo mexicano - assinala - requer-se uma visão mais ampla e integral da luta contra o crime organizado que vá além da repressão aos grupos criminosos. É necessário medidas preventivas para reduzir o consumo das drogas e os níveis da violência. Requer-se, também, uma mudança de modelo econômico que ofereça mais oportunidades aos mexicanos para reduzir a necessidade de migrar".

"E da parte do governo norte-americano - conclui - faz-se necessário uma atitude mais solidária e responsável. Seu poder deve ser exercido, não em um maior manejo dos assuntos internacionais para seu proveito econômico ou político, mas em um maior sentido de humanidade e de apoio aos países mais pobres."