Arte sacra, filosofia e diálogo ecumênico: uma experiência católica em São Paulo

A proposta inovadora da artista plástica Mirtis Gonçalves de Moraes e sua linguagem de valores universais

São Paulo, (Zenit.org) Redacao | 503 visitas

Durante a quaresma deste ano, a artista plástica Mirtis Gonçalves de Moraes surpreendeu os visitantes de uma exposição ousada de arte sacra, criada e realizada por ela mesma: Mirtis misturou suas esculturas abertamente católicas com recursos audiovisuais e música instrumental ao vivo, a fim de ambientar um franco intercâmbio entre católicos e não crentes e propor questionamentos filosóficos voltados a fomentar a reflexão e o diálogo ecumênico sobre a transcendência do espírito humano.

Na exposição, fundamentada nas temáticas da Semana Santa e intitulada "Sudário da Ressurreição", a artista expôs esculturas como "Sudário Vivo", "O Lenço da Verônica", "Encruzilhadas", "Magnificat", "Paz" e "Amor de Pai", entre outras. Cada obra foi apresentada ao público acompanhada de um breve texto com instigações à reflexão e à meditação pessoal.

Além das próprias obras, dos textos e dos elementos musicais e audiovisuais, Mirtis ofereceu aos visitantes da exposição uma palestra cultural sobre o Santo Sudário, dada pelo padre mexicano Alejandro de la Garza, que trouxe para o evento uma réplica em tamanho real do Sudário original, preservado em Turim.

O desejo de ressaltar o vínculo entre cultura, arte, filosofia e a natural abertura humana ao transcendente faz parte do estilo da escultora, que, além das peças de arte sacra, também esculpe o dinamismo do movimento humano representado principalmente por bailarinas e bailarinos em passos de dança e saltos no ar.

Com esta contribuição ao diálogo entre as pessoas de diversas visões de mundo, a artista, que é católica e realiza uma obra baseada em valores humanos universais, despertou a atenção de uma benfeitora paulistana que decidiu patrocinar uma de suas obras mais representativas e doá-la para a paróquia de Santa Edwiges, situada na zona sul da cidade de São Paulo e pertencente à diocese de Campo Limpo, da qual é bispo Dom Luiz Antônio Guedes.

Trata-se do "Cristo Vivo", uma escultura de dois metros de altura que representa Jesus Ressuscitado, suspenso no ar por uma instalação com cabo de aço, com uma das mãos elevada ao Pai e a outra estendida aos homens, evocando a possibilidade de reconciliação oferecida por Deus à humanidade e a liberdade humana de aceitar ou não a relação com Ele.

Com a paróquia de Santa Edwiges em fase final de reforma, a previsão de colocação da obra na parte central do presbitério da igreja é até o final de agosto.

Nesta experiência de interação entre fé, diálogo, arte e cultura, é chamativo o gesto da doadora que patrocinou a realização da obra e a sua doação à paróquia.

Grande parte do riquíssimo patrimônio artístico e cultural da humanidade, afinal, foi colocado ao alcance das pessoas graças ao apoio de mecenas, pessoas que investiram na obra de artistas talentosos e ajudaram a levá-la até um público carente de beleza e conteúdo. Em meio a muitos projetos que se propõem apoiar hoje o progresso do país, é curioso que haja poucas iniciativas semelhantes às do Renascimento, em que o tesouro da produção e da divulgação da arte era particularmente promovido como instrumento privilegiado de enriquecimento cultural geral.

É alentador, portanto, observar que, mesmo em um caso pontual, ainda existe a possibilidade real do apoio de mecenas à arte propositiva de conteúdo e à sua colocação permanente ao alcance de todos.

Igualmente alentador é constatar que existem em nosso país trabalhos genuinamente humanísticos como o de Mirtis, dedicados a propor o encontro, a reflexão aberta e o diálogo construtivo entre quem acredita e quem questiona a dimensão espiritual do ser humano, mediante o intercâmbio e o respeito plasmados em obras e eventos de beleza e cultura universal.

SERVIÇO

A igreja: A paróquia de Santa Edwiges se localiza na Rua Clermont, 65, Jardim Santo Antônio, zona sul da cidade de São Paulo. As missas são celebradas de terça a sábado, às 18h, e nos domingos às 11h e às 18h. Nesses mesmos horários há disponibilidade de sacerdote para ouvir confissões. Apesar da reforma em andamento, a paróquia conta com grupos pastorais ativos. O sacerdote responsável é o Pe. Miguel Ángel de la Torre.

A artista: Um pouco mais sobre a obra e a proposta de diálogo cultural da artista plástica Mirtis Gonçalves de Moraes pode ser conferido em seu site: www.mirtisartesplasticas.com.br