As bem-aventuranças são os novos mandamentos

Papa Francisco: a verdadeira liberdade é a "liberdade do Espírito Santo", que exige "a abertura do coração"

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Luca Marcolivio | 971 visitas

Mais uma vez, o papa Francisco se concentra no verdadeiro significado da liberdade para os cristãos. Na missa matinal celebrada na Casa Santa Marta, o papa começou a homilia com as palavras de São Paulo, que, na primeira leitura de hoje (2 Cor 1,1-7), fala de "consolação" para os cristãos do seu tempo, chamados a evangelizar em meio a um clima de perseguição.

A consolação, disse o Santo Padre, é "a presença de Deus em nosso coração", onde nosso Senhor só pode entrar se lhe abrirmos a porta, ou seja, mediante a nossa "conversão". Encontrar Jesus e segui-lo implica uma "mudança de vida", que torna "necessária uma força especial de Deus".

Viver "na consolação do Espírito Santo" é uma das condições necessárias para a "salvação", acrescentou o papa, recordando que aqueles que vivem "na consolação do espírito do mundo" se enquadram claramente no "pecado".

Entre o pecado e a salvação é impossível "negociar", frisou. Não por acaso, o evangelho nos recorda que "não se pode servir a dois senhores". A abertura ao "Espírito do Senhor" nos leva às bem-aventuranças, o tema do evangelho de hoje (cf. Mt 5,1-12a).

As bem-aventuranças, disse Francisco, "não podem ser entendida apenas com a inteligência humana": para compreendê-las, é necessário ter "um coração aberto" à "consolação do Espírito Santo". Sem essa predisposição da alma, as bem-aventuranças podem parecer "bobas"; no entanto, elas são "novos mandamentos".

O instinto humano é mais facilmente levado a pensar que ser "pobre", "humilde" e "misericordioso" não é um caminho para o "sucesso". As bem-aventuranças, porém, são "a lei para aqueles que foram salvos e abriram seu coração para a salvação"; em última instância, elas são a "lei da liberdade", graças ao Espírito Santo.

Pode-se ainda regular a vida "com base em uma lista de mandamentos ou procedimentos" de caráter "meramente humano", mas esta, sem dúvida, não é a estrada para a salvação, que se consegue apenas quando se tem um "coração aberto". A atitude oposta, de fechamento do coração, era a postura daqueles que queriam "examinar" a "nova doutrina" de Jesus para, depois, "discutir" com Ele.

Muitas pessoas, observou o papa, têm um "coração fechado para a salvação" pelo simples fato de terem "medo da salvação" em si, embora todos nós precisemos dela. Para nos salvar, devemos "dar tudo" ao Senhor, mesmo que o nosso instinto seja o de "comandar".

É essencial, portanto, "pedir ao Senhor a graça de segui-lo", mas com a liberdade do Espírito Santo: com a simples "liberdade humana", corremos o risco de nos tornar "como aqueles fariseus e saduceus hipócritas, que discutiam com Ele". E a hipocrisia consiste justamente em "não permitir que o Espírito mude os corações com a sua salvação".

A liberdade puramente humana, desta forma, é um engano: "é apenas uma forma de escravidão", disse o papa, ao passo que o Senhor nos dá, supremo e sublime paradoxo, "uma forma de servidão que nos torna livres".

O Santo Padre concluiu com a seguinte oração: "Peçamos a graça de abrir os nossos corações para a consolação do Espírito Santo, para que esta consolação, que é a salvação, nos faça entender esses mandamentos".

A missa foi concelebrada pelo papa com o cardeal Stanislaw Rylko e com dom Joseph Clemens, respectivamente presidente e secretário do Conselho Pontifício para os Leigos, e com dom George Valiamattam, arcebispo de Tellicherry, na Índia. Participou da missa de um grupo de sacerdotes e de funcionários do mesmo Pontifício Conselho para os Leigos.