As condições essenciais do pregador

Como melhorar a pregação sagrada: coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 1920 visitas

Abordaremos a seguir as condições essenciais do pregador.

Ser pregador implica dois elementos, um objetivo e outro subjetivo. Expliquemos ambos.

Primeiro, o elemento objetivo, que se baseia na missão. O ministério da pregação não se baseia, em última instância, nem na ciência teológica, nem na comunidade e na sua aprovação, como tampouco na fé pessoal do pregador ou na sua capacidade de pregar. A pregação se fundamenta primariamente na missão e na vocação da Igreja, e, secundariamente, no carisma do pregador.

Segundo, o elemento subjetivo: a competência do pregador. O pregador é um mediador. Entendemos por competência o conjunto de capacidades que são de se desejar naquele que desempenhará a tarefa da pregação[1].

Quais são essas capacidades e competências?

Primeiro, a competência jurídica. O pano de fundo deste conceito é a organização social, o sistema social de distribuição do trabalho, em que há diferentes papéis e correspondentes incumbências a ser respeitadas. O pregador sagrado tem a competência jurídica, um cargo pastoral, uma missão canônica, uma nomeação como representante da Igreja.

Segundo, a competência profissional. Competência significa, aqui, o conhecimento de certa ciência ou matéria, a especialização ou aptidão no tema a ser desenvolvido. O pregador sagrado deve ter esta competência profissional, deve conhecer a tradição cristã e, a partir da interpretação da Sagrada Escritura, saber iluminar as situações humanas.

Terceiro, a competência comunicativa. Pressupõe uma competência pessoal. Significa que o pregador tem que estar repleto de Deus para transmiti-lo ao povo cristão. Quem mais pleno estiver de Deus, mais o comunicará.

Depois de ver as condições do pregador, vejamos agora as dimensões da formação homilética no pregador.

Primeiro, a dimensão intelectual. “O fundamento da eloquência”, afirma o célebre orador romano Cícero, como o de qualquer outra cosa, “é a sabedoria”. O que o orador latino chama de “sabedoria” é o que nós poderíamos chamar de “bom senso”. O estudo proporciona ao pregador os conhecimentos necessários e o familiariza com o estado atual da pesquisa teológica. É o que chamamos de competência profissional: conhecimento da tradição da Igreja, da Sagrada Escritura, da teologia, do mundo de hoje, etc.

Segundo, a dimensão pastoral. Trata-se de conquistar segurança nos objetivos para com as pessoas confiadas a mim.

Terceiro, a dimensão humana. A pregação é pregação para pessoas. Portanto, o pregador tem que se preparar para esta comunicação com os outros. Será de grande ajuda manter sempre a proximidade com as pessoas, com simplicidade e humildade, e dialogar com elas com franqueza e respeito.

Quarto, a dimensão espiritual. Esta é a dimensão que dá profundidade às outras. A dimensão espiritual implica ver tudo com os olhos de Deus e dar respostas a partir de Deus para todas as situações e problemas pessoais e comunitários.

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Padre Antonio Rivero tem licenciatura e doutorado em Teologia Espiritual pelo Ateneu Pontifício Regina Apostolorum em Roma. Atualmente exerce seu ministério sacerdotal como professor de teologia e oratória, e diretor espiritual no Seminário Maria Mater Ecclesiae do Brasil.

Caso você queira se comunicar diretamente com o Pe. Antonio Rivero escreva para arivero@legionaries.org  e envie as suas dúvidas e comentários.

[1]  São Tomás recopila as várias imagens com que a Escritura designa o pregador: “O apóstolo denomina com diversos nomes o ofício do pregador, posto que o chama, em primeiro lugar, de soldado, pois ele defende a Igreja contra os inimigos; em segundo lugar, vinhateiro, já que poda os sarmentos supérfluos; também pastor, pois apascenta os súditos com o bom exemplo; boi, porque em tudo deve proceder com gravidade; arador, posto que tem de abrir os corações à fé e à penitência; (...) arquiteto do templo, dado que há de construir e reparar o edifício da Igreja; e, finalmente, ministro do altar, pois há de desempenhar um ofício grato a Deus” (In I ad Cor., c. 9, leit. 1).