As fofocas contra o próximo são dignas de Caim

Durante a missa na Casa Santa Marta, o papa Francisco adverte: "Se você fala mal do seu irmão, você o mata"

Roma, (Zenit.org) Luca Marcolivio | 752 visitas

A metáfora evangélica do cisco e da trave no olho (Lc 6,39-42) se refere àquela "atitude de ódio de uns para com os outros" que nos leva a "ser juízes do nosso próprio irmão", disse o papa na homilia durante a missa desta manhã na Casa Santa Marta, comentando o evangelho do dia.

Na mesma passagem, Jesus pronuncia "uma palavra forte: hipócrita", acrescentou o pontífice.

Há pessoas que "vivem falando mal dos outros". Elas "são hipócritas porque não têm a força, a coragem de olhar para os seus próprios defeitos". Em outro momento, Jesus enfatiza que aquele que guarda "em seu coração um pouco de ódio contra o seu irmão é um assassino".

São João Apóstolo também é muito explícito sobre esse ponto: "Aquele que odeia o seu irmão caminha nas trevas; quem julga o seu irmão caminha nas trevas" (cf. 1 Jo 9).

Portanto, cada vez que "julgamos os nossos irmãos em nossos corações e, pior ainda, quando falamos sobre isto com outras pessoas, somos cristãos homicidas", continuou o papa.

"Se você fala mal do seu irmão, você mata o seu irmão", disse Francisco, observando que, neste ponto, "não cabem nuances". Qualquer um que julga o seu irmão está imitando "Caim, o primeiro assassino da história".

O Santo Padre abordou depois a relação entre o julgamento negativo do outro e a paz que o mundo exige, especialmente nos dias de hoje. É necessário, por isto, "um gesto de conversão nosso. As fofocas estão sempre nessa dimensão da criminalidade. Não há fofocas inocentes".

Quando se fala mal do irmão ou da irmã, usa-se a língua, no fim das contas, para "matar a Deus", refletido na imagem do irmão que nos foi dada para louvá-Lo.

Se um irmão erra ou nos faz sofrer, a verdadeira solução não é espalhar fofocas, mas rezar ou fazer penitência por ele. "E, se necessário, falar com a pessoa que pode resolver o problema. Mas não sair fofocando para todo mundo!", observou o papa.

O exemplo paradigmático desta atitude virtuosa é oferecido por São Paulo, quando diz: "Antes eu era blasfemo, perseguidor, violento. Mas alcancei misericórdia" (cf. 1 Tim 1,1-2.12-14). Mesmo aqueles que não blasfemam, quando se rendem à sedução maliciosa da fofoca se tornam "certamente perseguidores e violentos", afirmou o Santo Padre sem botar panos quentes.

Na conclusão da homilia, o papa exortou os fiéis a pedirem "para nós e para toda a Igreja a graça da conversão, a fim de passar do crime das fofocas para o amor, para a humildade, para a mansidão, para a gentileza e para a magnanimidade do amor pelo próximo".