As hóstias consagradas na Quinta-feira Santa podem ser levadas até outra igreja para a adoração da cruz?

Responde o pe. Edward McNamara, LC, professor de teologia e diretor espiritual

Roma, (Zenit.org) Pe. Edward McNamara, L.C. | 1724 visitas

Um dos nossos leitores dos Estados Unidos fez a seguinte pergunta ao pe. Edward McNamara:

“Quando um padre é responsável por mais de uma paróquia e divide a celebração do Tríduo Pascal entre estas paróquias, ele pode, para a liturgia da Sexta-Feira Santa, consagrar mais hóstias no Domingo de Ramos na igreja onde presidirá a liturgia da Sexta-Feira Santa? Ou ele pode transportar as hóstias de carro da igreja onde celebrou a Missa na Ceia do Senhor? Além disso, na Sexta-Feira Santa, pode-se venerar a cruz depois da via-crúcis em um momento e em uma igreja diferente daquela em que será celebrada a liturgia principal da Sexta-Feira Santa? É adequado permitir este ato de devoção, que não é o rito litúrgico, sabendo-se que ele poderia confundir as pessoas?”

B.K., Garnett, Kansas, EUA.

Apresentamos a resposta do pe. McNamara:

Para um sacerdote, é mesmo difícil atender duas ou mais paróquias. Infelizmente, porém, a solução proposta não é lícita.

A carta circular Paschales Solemnitatis (1988) e as normas do novo Missal Latino indicam claramente que a Missa na Ceia do Senhor e a liturgia da Sexta-Feira Santa são tão estreitamente ligadas entre si que devem ser celebradas na mesma igreja.

O documento afirma:

"46. A Missa na Ceia do Senhor é celebrada nas horas vespertinas, no momento mais conveniente para a plena participação de toda a comunidade local. Todos os sacerdotes podem concelebrar, mesmo que já tenham concelebrado nesse dia a Missa do Crisma ou outra missa para o bem dos fiéis.

47. Nos lugares em que for necessário por razões pastorais, o ordinário local pode autorizar a celebração de outra missa nas igrejas e oratórios nas horas vespertinas e, em caso de verdadeira necessidade, no período da manhã, mas somente para os fiéis que não podem de forma alguma participar da missa vespertina. Deve ser evitado, no entanto, que estas celebrações sejam feitas em favor de indivíduos ou pequenos grupos especiais e que constituam obstáculo para a missa principal. De acordo com uma antiquíssima tradição da Igreja, são proibidas neste dia todas as missas sem o povo.

48. Antes da celebração, o tabernáculo deve estar vazio. As hóstias para a comunhão dos fiéis devem ser consagradas na celebração da missa. Consagre-se nesta missa pão em quantidade suficiente para o mesmo dia e para o dia seguinte.

49. Reserve-se uma capela para a custódia do Santíssimo Sacramento e seja ela ornada de modo conveniente, para se facilitar a oração e a meditação: respeite-se a sobriedade que convém à liturgia desses dias, evitando-se e removendo-se todo abuso. Se o tabernáculo for colocado em uma capela separada da nave central, convém que nesta seja preparado o local para a reposição e para a adoração.

53. Para os doentes que recebem a comunhão em casa, o mais apropriado é que a Eucaristia, retirada do altar no momento da comunhão, seja levada até eles por diáconos, ou acólitos, ou ministros extraordinários, a fim de que possam unir-se de forma mais intensa à Igreja que celebra.

54. Terminada a oração depois da comunhão, forma-se a procissão que, através da igreja, acompanha o Santíssimo Sacramento até o local da reposição. Abre a procissão o cruciferário; usam-se velas acesas e incenso. Canta-se o hino Pange lingua ou outro canto eucarístico. A procissão e a reposição do Santíssimo Sacramento não podem ser feitas nas igrejas onde não se celebra a Paixão do Senhor na Sexta-Feira Santa.

55. O Sacramento deve ser conservado em um tabernáculo fechado. Não pode ser feita a exposição com o ostensório. O tabernáculo ou custódia não deve ter a forma de um sepulcro. Evite-se o próprio termo "sepulcro": a capela de reposição é preparada não para representar "o sepultamento do Senhor", mas para custodiar o pão eucarístico para a comunhão, que será distribuída na Sexta-Feira da Paixão do Senhor.

56. Convidem-se os fiéis a permanecer na igreja após a Missa na Ceia do Senhor, durante razoável espaço de tempo pela parte da noite, a fim de fazerem a devida adoração ao Santíssimo Sacramento solenemente ali custodiado naquele dia. Durante esta prolongada adoração eucarística, pode ser lida alguma parte do Evangelho de João (cap. 13-17). Depois da meia-noite, a adoração deve ser feita sem solenidade, uma vez que já começou o dia da Paixão do Senhor".

Portanto, dado que o tabernáculo deve estar vazio antes da Missa na Ceia do Senhor, não seria correto usar as hóstias do Domingo de Ramos.

Embora as regras mencionadas acima não excluam a possibilidade de levar de modo privado as hóstias consagradas durante a Missa na Ceia do Senhor até outra igreja para a Sexta-Feira Santa (eliminando-se assim a possibilidade de um altar de reposição em ambas as igrejas), o sentido geral da norma 54, bem como a descrição dos ritos no missal, parte do pressuposto de que ambos os ritos sejam celebrados na mesma igreja.

Se para os fiéis das paróquias em questão não é possível reunir-se para celebrar todos juntos a liturgia, resta a possibilidade de pedir a permissão do bispo para celebrar uma segunda Missa na Ceia do Senhor e, consequentemente, fazer duas celebrações da Paixão na Sexta-Feira Santa. É muito difícil para o sacerdote, mas é provavelmente a melhor solução pastoral.

A celebração da Vigília Pascal não tem nenhuma associação similar e pode ser celebrada independentemente das outras duas.