Ataques contra cardeal Bertone deformam suas palavras

Entrevista com Massimo Introvigne, diretor do Centro de Estudos sobre as Novas Religiões

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Por Jesús Colina

PAMPLONA, sexta-feira-feira, 16 de abril de 2010 (ZENIT.org).- O professor Massimo Introvigne, diretor do Centro de Estudos sobre as Novas Religiões (http://www.cesnur.org), considera que o cardeal Tarcisio Bertone, foi vítima de uma agressão baseada na deformação de suas declarações sobre a relação entre casos de abusos sexuais por sacerdotes e a homossexualidade.

À distância, em Pamplona, onde participa do XXXI Simpósio de Teologia da Universidade de Navarra, o sociólogo respondeu às perguntas de ZENIT, em plena onda de ataques contra o secretário de Estado de Bento XVI, por versões referidas por meios de comunicação em uma coletiva de imprensa que concedeu nesta segunda-feira em Santiago no Chile.

-Em resposta a um jornalista, o cardeal Bertone simplesmente remeteu aos estudos que são realizados sobre os casos de sacerdotes que cometeram abusos sexuais e que constatam em sua maioria que são cometidos contra homens que passaram pela puberdade. Quais são os números?

–Massimo Introvigne: Acredito que é um dever de expressar solidariedade ao cardeal Bertone, vítima de uma agressão indigna e de má educação. No momento de uma coletiva de imprensa, que não é um encontro científico, o cardeal se limitou a fazer alusão a uma coisa óbvia, que todos os especialistas conhecem. Segundo o relatório de 2004 do John Jay College de Nova York, o maior estudo sobre o tema, nos Estados Unidos, 81% das acusações de abusos de menores contra sacerdotes afetam meninos, e não meninas.

Falamos de homens que abusam de outros homens. Também na Irlanda, os abusos de sacerdotes contra meninos são o dobro em relação às meninas. Estes são números.

-Mas não se pode dizer que os homossexuais são pedófilos.

–Massimo Introvigne: Ninguém disse isso. Ninguém disse que todos os sacerdotes com tendências homossexuais abusam de menores. Seria uma acusação totalmente injusta. Contudo, é um fato que a maior parte dos sacerdotes que abusam de menores, o façam com menores do mesmo sexo.

-Como foram deformadas as palavras do cardeal Bertone?

–Massimo Introvigne: Certamente o cardeal Bertone não queria fazer uma qualificação médica desses comportamentos: efebofilia, homofilia, pedofilia... Quem o critica confunde uma coletiva de imprensa com um tratado de medicina, e busca proibir a citação daqueles dados estatísticos que considera como politicamente incorretos. É uma forma de censura inaceitável, em ocasiões disfarçadas de científicas.

-Bento XVI realiza uma relação clara em sua carta pastoral aos católicos da Irlanda (19 de março de 2010) entre esses casos de perda de respeito com a Igreja e seus ensinamentos, registrados em seu próprio corpo depois do Concílio Vaticano II. O senhor vê uma relação direta?

–Massimo Introvigne: Como opinião pessoal, considero uma certa tolerância em alguns seminários católicos - que fique claro, não são todos - uma subcultura homossexual dos anos setenta, teve um papel não secundário na confusão moral e na contestação teórica e prática do magistério moral da Igreja, que o Papa denuncia em sua carta sobre a Irlanda.

Essa confusão doutrinal e prática abriu caminho onde é possível crescer a “erva daninha” da tolerância para o abuso. Certamente não foi a única causa da crise, mas é parte de um problema mais generalizado. Justamente a Igreja tomou medidas para enfrentar esse problema. Não deveria ser algo novo para ninguém o fato de que a Igreja, deixando muito claro  o respeito pelos homossexuais enquanto pessoas, considera os atos homossexuais sempre como objetivamente desordenados. E se os considera assim na sociedade geral, não é possível tolerar isso nos noviciados e seminários.

-Por que há ataques tão fortes e injustos contra o cardeal Bertone, o Papa e a Igreja?

–Massimo Introvigne: Hoje salta à vista de todos a ação de um “lobby gay” que busca um pretexto na questão dos sacerdotes pederastas para amordaçar a Igreja, para impedir que apresente sua doutrina sobre o caráter objetivamente desordenado do ato homossexual, e sobretudo para colocar obstáculos à ação sumamente eficaz que os católicos têm desenvolvido para barrar o reconhecimento público das uniões homossexuais por parte dos Estados. A maneira adequada de responder à prepotência dos lobbies é não desistir. A doutrina da Igreja sobre a homossexualidade deve ser reproposta e explicada com serenidade, em toda ocasião.

Essa doutrina deve ser explicada em seu fundamento racional, e não somente de fé, também aos não crentes, e pedir aos Estados que levem em conta, que não constitui uma intromissão da Igreja, porém um serviço ao bem comum. E os leigos, em particular, os comprometidos na política, têm de elevar sua voz contra o reconhecimento público das uniões homossexuais.