Ato de governar depende da envergadura moral

Arcebispo chama eleitores a estarem atentos à qualidade de ser «digno e honesto»

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Por Alexandre Ribeiro

BELO HORIZONTE, segunda-feira, 28 de julho de 2008 (ZENIT.org).- Um arcebispo brasileiro pede que os eleitores estejam atentos para saber se seu voto nas eleições 2008 no país será destinado a pessoas de «envergadura moral».

Em artigo remetido a Zenit sexta-feira passada, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, afirma que o «jeito de ser» daqueles que, tempos atrás, eram considerados cidadãos de envergadura moral, deixa transparecer «como honra maior a qualidade de ser digno e honesto».

«É um alento quando se proclama de alguém as proporções de sua envergadura moral, em se considerando o zelo com que exerceu sua profissão, não se tornando possuidor de muitos bens, a lisura com que governou sufragado pela confiança de um povo, com votação histórica e quase sem outra edição, o reconhecimento de seu modo transparente de fazer política e seu exercício no âmbito familiar, testemunhando o apreço por sua envergadura moral.»

De acordo com o arcebispo, «a prática destes valores configura a envergadura moral de cada pessoa, favorecendo o desenvolvimento autêntico da dignidade humana e edificando uma convivência social aperfeiçoada».

Dom Walmor de Azevedo considera que as «reformas substanciais das estruturas econômicas, políticas, culturais e tecnológicas, e mesmo as mudanças nas instituições, dependem da envergadura moral dos agentes».

«Sem esta envergadura moral o proponente responsável não tem condições de realizar mudanças e fomentar processos para respostas novas», afirma.

Diante disso, «é urgente trabalhar, mesmo lutando contra a maré, para recolocar o apreço pela envergadura moral como bem central da conduta humana».

«A falta de envergadura moral está comprometendo processos e esvaziando possibilidades de um novo caminho social e político. As lideranças são frágeis em razão da falta de envergadura moral.»

«O interesse maior é sempre aquele de obter vantagens e comodidades. Tem mais gente à caça de vantagens e comodidades do que trabalhando de verdade para a edificação de uma sociedade solidária e justa», afirma o arcebispo.

Neste tempo das eleições municipais no Brasil, Dom Walmor acredita que é hora de avaliar a envergadura moral de quem se candidata.

«Os apadrinhamentos não podem ser suficientes para se votar em alguém. Menos ainda alguém poder ser votado só por ser apresentado por outros ou pelos partidos.»

«Quando alguém é eleito, não é quem o apresentou ou apoiou que governa. Seu governo dependerá de sua envergadura moral», diz o arcebispo.