Átrio dos Gentios lança diálogo entre crentes e não-crentes

Inaugurado na sede da UNESCO de Paris

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PARIS, sexta-feira, 25 de março de 2011 (ZENIT.org) - Diante de diplomatas, funcionários internacionais e representantes da cultura, realizou-se ontem, na sede das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) uma nova estrutura para o diálogo entre crentes e não-crentes, o Átrio dos Gentios.

A iniciativa, promovida pelo Conselho Pontifício para a Cultura, é uma sugestão de Bento XVI destinada a criar um espaço para o diálogo "com aqueles para quem a religião é algo estranho, para quem Deus é desconhecido e que, apesar disso, não gostariam de estar simplesmente sem Deus, mas aproximar-se dele pelo menos como Desconhecido" (Bento XVI, 21 de dezembro de 2009).

O cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, escolheu a capital francesa para sediar a primeira edição deste evento, como um lugar simbólico do Iluminismo e por seu impacto no mundo.

Assim, entre 24 e 25 de março de 2011, três locais de prestígio - UNESCO, Universidade da Sorbonne e o Instituto da França - estão permitindo que altas personalidades do mundo da cultura dialoguem sobre o tema "Luzes, religiões, razão comum".

Na UNESCO, este diálogo foi sido apresentado como "elemento essencial na busca da paz e na abolição da rejeição do outro na afirmação da própria identidade", segundo explicou o Conselho Pontifício para a Cultura, em um comunicado.

"Este diálogo tem a mesma relevância para o nosso tempo que o diálogo inter-religioso. Do ponto de vista da globalização, convida a tratar de questões vitais de caráter universal e dos valores", explicou o Conselho, para enquadrar a iniciativa.

O encontro começou com saudações de boas-vindas do cardeal Ravasi e com uma mensagem gravada por Irina Bokova, diretora geral da UNESCO, que situou a sessão no tema do diálogo intercultural, particularmente interessante para a instituição, depois de dedicar o ano de 2010 à "aproximação de culturas".

Vários políticos, inclusive Giuliano Amato, antigo primeiro-ministro italiano, sublinharam a perspectiva do debate no âmbito político, cultural e social.

"A aliança entre crentes e não-crentes dará sentido à liberdade e à democracia", disse Amato.

Aziza Bennani, embaixadora de Marrocos junto à UNESCO, apresentou o papel decisivo das mulheres na sociedade e que seu chamado a desenvolvê-lo.

Henri Lopes, o antigo primeiro-ministro do Congo, embaixador desse país junto à França e à UNESCO, testemunhou a importância deste diálogo para promover uma cultura de paz no mundo, para além das fronteiras da Europa e do Ocidente.

Pavel Fisher, antigo embaixador da República Checa na França, destacou a natureza crítica da busca de sentido no coração de um mundo simultaneamente secularizado e religioso, e convidou a um diálogo entre diferentes visões do mundo e do homem.

Fabrice Hadjadj, escritor e filósofo, disse que não é preciso ter medo de ampliar as fronteiras deste diálogo, de levantar a questão sobre Deus, a questão da fé.

Jean Vanier, fundador da Comunidade da Arca, testemunhou o poder de transformação que vem da qualidade de um olhar dirigido à humanidade ferida. "O encontro é mais importante que o diálogo, estabelecer uma relação de confiança", disse ele.

Dom Francesco Follo, observador permanente da Santa Sé junto à UNESCO, sublinhou que não pode haver humanismo sem respeito pelo indivíduo. A defesa desta natureza é a principal questão no debate da bioética.

Crentes e não-crentes devem continuar convivendo. Não se trata apenas de tolerância mútua, mas de um desafio que deve ser assumido, concluiu Dom Follo.

(Jesús Colina)