Aumenta fundamentalismo na Ásia, alertam bispos

Este é o maior perigo do continente, segundo os prelados

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BANGKOK, quarta-feira, 5 de outubro de 2011 (ZENIT.org) – Um dos maiores perigos sofridos no continente asiático é o crescimento do fundamentalismo religioso, um fenômeno que está se dando não somente no âmbito do islã e do hinduísmo, mas inclusive entre alguns grupos cristãos.

Quem afirma isso é Dom Thomas Menamparampil, arcebispo de Guwahati (Índia) e presidente do Departamento para a Evangelização, da Federação de Conferências Episcopais da Ásia (FABC), em uma entrevista à agência Fides.

Este departamento realizou, na semana passada, uma reunião de bispos do continente, prevista dentro do calendário de reuniões da FABC para este ano, no Centro Redentorista dePattaya (Tailândia), sobre o tema “Secularismo, fundamentalismo e evangelização”.

Os membros deste departamento são Dom Francis Xavier Vira Arpondratana, bispo de Chiangmai (Tailândia), Dom Broderick Pabillo, bispo auxiliar de Manila, Dom Peter Tran Dinh Tu, bispo de Phu Cuong (Vietnã), e Dom Victor Gnanapragasam, bispo de Quetta (Paquistão).

Na entrevista, Dom Menamparampil afirmou que o fenômeno do secularismo e o crescimento dos fundamentalismos constituem “os dois maiores desafios da evangelização na Ásia”.

Diante disso, a Igreja não pode responder “agressivamente”, mas “indagando e compreendendo as razões psicológicas e sociais que permitem seu florescimento”.

“É preciso opor-se ao secularismo contribuindo para construir valores leigos universalmente válidos; a resposta ao fundamentalismo é, no entanto, a autêntica religião”, afirmou.

Fruto do secularismo

O prelado explicou que os debates desta reunião estavam focados nas afirmações contidas no ensaio de Steve Bruce, pensador inglês que sustenta a “teoria do secularismo”.

Segundo Dom Menamparampil, o especialista afirma que o secularismo é um “fenômeno irreversível da era moderna”. “Seus dados se baseiam, principalmente, na pouca presença de pessoas nas igrejas, mas este não pode ser o único critério.”

O bispo de Guwahati afirmou que o secularismo “se faz sentir também na Ásia, especialmente entre os jovens e nas famílias”, e precisamente “com o secularismo, florescem os fundamentalismos que exacerbam as emoções e as necessidades das pessoas”.

Na Ásia, destacou, “o maior risco é justamente o fundamentalismo religioso: de um lado, o Pentecostalismo, que atrai e tira fiéis católicos da Igreja; do outro, o fundamentalismo de matriz hinduísta e islâmica, que ameaça a harmonia social e religiosa”.

Em outra intervenção sua recolhida pela agência Fides (13 de setembro), Dom Menamparampil convidava os cristãos da Ásia a “renovar o anúncio, a missão, a evangelização”.

“Precisamente quando surgem dificuldades é quando as pessoas buscam respostas. E quando os problemas são intensos, as perguntas se tornam mais profundas. Talvez seja este o momento pelo qual a Ásia está passando.”

Em relação às situações de perseguição, inclusive violenta, que muitas comunidades cristãs sofrem na Ásia, o prelado acrescentou: “'Durante quanto tempo ainda?', pergunta o salmista em sua agonia. Mas, durante as monções – precisamente quando o calor se torna insuportável – é que chegam as chuvas copiosas. Que os anunciadores da Palavra na Ásia saibam fazer-se ouvir, porque a terra tem sede da mensagem de amor, justiça, paz e retidão que Cristo pregou”.