Autoridade como dom e serviço é caminho de cura para humanidade, diz arcebispo

Para D. Walmor Oliveira de Azevedo, sustentação desse valor é a integridade moral

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Por Alexandre Ribeiro

BELO HORIZONTE, sexta-feira, 23 de maio de 2008 (ZENIT.org).- Sendo instrumento de serviço, a autoridade é um dom e deve ser valorizada como um caminho de cura e busca de equilíbrio para a humanidade, afirma um arcebispo brasileiro.

Em artigo enviado a Zenit esta sexta-feira, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, explica que a autoridade não é um modo de auto-afirmação ou um simples desejo de poder.

Ela é um instrumento de serviço que auxilia a sociedade a não cair no «fosso da delinqüência».

«Esta delinqüência é que explica a violência crescente, a indiferença com a dor dos outros, a falta de compaixão, a mesquinhez dos interesses, bem como a tendência quase congênita à desonestidade e corrupção, aos absurdos da relativização de princípios morais gerando a cultura da permissividade e da imoralidade», afirma.

De acordo com o arcebispo, como instrumento, «o dom da autoridade recompõe na compreensão e no sentimento de cada pessoa e de sua comunidade o sentido do limite, do respeito, da dignidade, do sentido e do compromisso».

«É incontestável que o caos delinqüente que se acompanha no seio da sociedade contemporânea nasce da falta de autoridade, autoridade vivida como dom, instrumento de serviço e de cura», enfatiza.

Essa delinqüência «revela e comprova o esvaziamento da autoridade no seu significado e a superficialidade no seu exercício», fenômeno lamentável que «tem tudo a ver com a incapacidade dos que exercem autoridade».

Segundo Dom Walmor de Azevedo, o exercício da autoridade se configura numa perspectiva moral insubstituível.

«A moralidade é o alicerce de sustentação de toda autoridade no exercício do seu serviço. É verdade, por isso, que a autoridade moral é ouro. Um ouro que, lamentavelmente, tem sido de pouco apreço por parte dos que exercem, nas diferentes esferas e, com as mais variadas responsabilidades, a sua autoridade.»

O arcebispo adverte que a autoridade não pode ser confundida com o desejo de poder. «A conseqüência é esta terrível tendência a autoritarismos e manipulações interesseiras, envolvendo espuriamente a ganância pelo dinheiro e o desejo desmedido de auto-afirmação.»

«Instituições e grupos estão se liquefazendo porque os pares estão numa disputa canina na busca de autoridade como exercício de poder e de garantias, menos como serviço ao bem, à justiça e à verdade.»

O arcebispo considera que uma autoridade «exercida sem consistência moral da conduta pessoal e profissional de quem a exerce é um exercício da autoridade sem espinha dorsal de sustentação e com força indispensável de convencimento». 

Dom Walmor destaca ainda um outro «aspecto lamentável» desta liquefação da autoridade na sociedade contemporânea: «a incompetência dos indivíduos para o reconhecimento da autoridade, renunciando a uma referência relacional indispensável para manter o seu equilíbrio e articulação social».

«Está se perdendo o sentido da autoridade», afirma. «Este fenômeno se revela na iconoclastia das atitudes de desrespeito ao exercício da autoridade, desde a maledicência gratuita e maldosa até o exagero da consideração de si mesmo como métrica e parâmetro de tudo.» 

«No respeito e exercício da autoridade está, pois, uma indicação para que a sociedade contemporânea reencontre o seu caminho de equilíbrio», considera.

«Vale lembrar o que foi dito de Jesus, quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum: “Ele ensinava como quem tem autoridade, não como os escribas”. (Mc 1,22)»