Aventura dentro do “cogumelo”

Testemunho desde o centro neurálgico do Sínodo

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Pe. Thomas Rosica, CSB

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 14 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- O Pe. Thomas Rosica, porta-voz da língua inglesa da assembléia do Sínodo dos Bispos, escreve neste artigo suas impressões sobre o evento.

O autor se pergunta quais são os resultados de um sínodo e o que chega ao povo de Deus do volume de intervenções, informes, mensagens, propostas e exortações que se produzem no mesmo; e nos descreve os segredos desta magna assembléia.

Em que sentido estas reuniões da Igreja universal seguem a dinâmica da colegialidade do Concílio Vaticano II? Que impacto, se há, têm os sínodos na vida das pessoas comuns que moram longe de Roma? Qual deveria ser o meu papel como um dos cinco porta-vozes nomeados, um por idioma, de tão impressionante reunião? Estas são as perguntas de Thomas Rosica.

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O propósito geral de um sínodo está muito claro no Código de Direito Canônico (nº 342) da Igreja. Ele estabelece que o sínodo está integrado pelos bispos das diversas regiões do mundo que se reúnem para assistir o Papa com seu conselho e para considerar questões inerentes à atividade da Igreja no mundo.

Nos últimos anos como professor de Sagrada Escritura, eu ouvia freqüentemente entre os candidatos ao ministério na Igreja: “Os cursos de Escritura são como fazer autópsias no necrotério... Ninguém nos ensina como recompor o corpo depois da dissecação”, ou “Só chegamos ao coração e à alma da Escritura depois de ter deixado o texto de lado”.

Espero que o sínodo deste ano sobre a Palavra de Deus trate de algumas questões reais e ofereça algumas sugestões positivas sobre como fazer que a Palavra de Deus chegue viva à Igreja e ao mundo.

Nunca subestimei a relação entre a liturgia e a interpretação da Bíblia. Pode-se dizer que a Bíblia proporcionou um “léxicon” de palavras para o discurso cristão e a liturgia, uma gramática sobre como usá-lo. Este deve ser sempre um princípio-guia em nossos próprios esforços para fazer que a Palavra de Deus se torne viva na Igreja hoje.

O sínodo considerará os frutos positivos da Renovação Bíblica que recebeu as asas e empreendeu o vôo no Concílio Vaticano II.

Os padres sinodais também enfrentarão questões e preocupações em áreas que ainda é preciso estudar sobre a compreensão, aceitação e recepção da Palavra de Deus na vida da Igreja e na vida dos fiéis do mundo inteiro.

Já chega das minhas reflexões teológicas e bíblicas. Agora vêm alguns aspectos intrigantes do sínodo que só alguns conhecem.

Na sexta-feira, nós, os porta-vozes dos cinco grupos lingüísticos, conhecidos nos círculos vaticanos como “Os Cinco”, fomos introduzidos nos mistérios e nos trabalhos interiores do Sínodo dos bispos. “Os Cinco” somos: Pe. Giorgio Constantino (italiano); Pe.Joseph Bato'ora Ballong Wen Mewuda (francês); Jesús Colina (espanhol), o salesiano Pe. Markus Graulich (alemão), e eu (inglês).

Após intensas e cordiais reuniões com o arcebispo croata Nikola Eterovic, secretário-geral do Sínodo dos Bispos, e com o sempre agradável e sábio Pe. Federico Lombardi, diretor da Sala de Imprensa vaticana, recebemos formalmente nossas acreditações. Recebemos também nossos títulos formais no sínodo em latim. Não somos “porta-vozes”, e sim “Deputati Notitiis Vulgandis”.

Tínhamos de informar desde “o cogumelo”. Conheço outro tipo de cogumelos gastronômicos, mas agora nos enviavam ao cogumelo vaticano! Disseram-nos que estava entre a sala de audiências e a sala do sínodo dentro da Cidade do Vaticano. Era uma parte do Estado da Cidade do Vaticano desconhecida para nós, exceto para o Pe. Giorgio, que trabalhou em outros sínodos.

Subindo pelas escadas posteriores da Sala paulo VI, passamos por várias portas restringidas e entramos em uma colméia de atividade. Supervisionados pelo alemão Vik Van Brategem, assistente de imprensa da Santa Sé, conhecido pelo seu pastoreio do corpo de imprensa vaticano nas visitas papais, fiquei maravilhado com esta cena dentro do gigantesco “cogumelo”. Cerca de 40 adultos jovens, de muitas nações diferentes, trabalhando diligentemente em grupos lingüísticos nos computadores, repassando todas as traduções de todos os informes de imprensa e documentos sinodais.

Para mim foi reconfortante ver quantos jovens adultos trabalham duramente no centro neurálgico do Sínodo dos bispos, dando corpo, significado e consistência às muitas palavras que são ditas.

É chamado de “cogumelo” porque a grande estrutura moderna de cimento construída no estacionamento parece proteger o Papa e os visitantes especiais das inclemências do tempo quando entram na sala de audiências para grandes reuniões. A estrutura tem a forma de um cogumelo gigante, tão moderno e tão novo que pareceria fora de lugar entre os restos arqueológicos e lembranças históricas da Cidade do Vaticano.

Permaneçam em contato para as palavras que virão do Sínodo dos Bispos sobre “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, o tema do capítulo conclusivo da constituição dogmática sobre a revelação divina, Dei Verbum, e seqüela natural do sínodo de 2005 sobre “A Eucaristia: fonte e cume da vida e da missão da Igreja”.