Ban Ki-moon visita Congo reforçando a urgência da mensagem deixada pelo Arcebispo de Bukavu

Afirmou durante visita a Portugal a convite da Fundação AIS

Roma, (Zenit.org) | 379 visitas

Tal como D. François-Xavier Maroy, Arcebispo de Bukavu, disse reiteradamente em Portugal na semana passada, na visita que efectuou ao nosso país a convite da Fundação AIS, também o secretário-geral da ONU, considera que “o problema da RD do Congo não é só uma questão de paz mas também de desenvolvimento”.

Nesta visita, iniciada ontem e classificada pelo próprio de “muito importante”, Ban Ki-moon, procura uma solução eficaz e duradoura para os constantes episódios violentos que grassam nos Grandes Lagos e que instabilizam toda a região, penalizando fortemente as depauperadas populações locais.

Esta deslocação do secretário-geral da ONU, que foi precedida de uma visita a Moçambique, vem reforçar o impacto – e a oportunidade - das palavras deixadas no nosso país pelo Arcebispo de Bukovu sobre a situação “terrível” que se vive na RDC.

Durante uma semana, D. François-Xavier Maroy foi mais do que um simples bispo a visitar um país europeu. Foi o porta-voz de um povo martirizado pelo saque contínuo que se verifica na sua terra.

D. François aproveitou todas as conferências, em Fátima, Lisboa, Braga. Almada e Évora de Alcobaça, assim como as celebrações eucarísticas em que participou - a primeira foi no Santuário de Fátima, a 13 de Maio - e os momentos de oração para alertar a opinião pública portuguesa face ao drama silencioso que existe no Congo. “No meu país grassa a fome, a miséria, a mortalidade e o subdesenvolvimento em geral. Noventa por cento das pessoas estão desempregadas. É um flagelo”, disse.

O prelado aproveitou todas as ocasiões para testemunhar o martírio que acontece todos os dias na República Democrática do Congo, especialmente no Leste do país, região que não conhece a paz há décadas.

Ainda há menos de 48 horas ocorreu mais um confronto militar entre o exército do país e elementos de um movimento rebelde que causaram cerca de quatro dezenas de mortos e feridos.

Na última – das muitas - entrevistas que concedeu aos Meios de Comunicação Social portugueses, neste caso à RTP2, o Arcebispo de Bukovu fez “um balanço muito, muito positivo da visita a Portugal”.

“É um balanço muito positivo não só para mim, como para a minha diocese e para o meu país. Esta visita a Portugal não foi tempo perdido, pelo contrário” – acrescentou o prelado. “Quero agradecer à Fundação AIS, a todos os que me acompanharam e a todos os que me escutaram: muito obrigado”.

Também Catarina Martins, directora da Fundação AIS em Portugal e que acompanhou o prelado em toda a sua deslocação ao nosso país, faz um balanço positivo desta visita. “O Senhor Arcebispo sensibilizou as pessoas que estiveram com ele e ouviram o seu testemunho.

O que nos marcou mais foi o seu apelo incessante para que rezássemos pela paz no Congo, por todo o povo que sofre e particularmente por ele próprio para cumprir bem a sua difícil missão à frente da Diocese de Bukavu”.