Bartolomeu I espera que eleição de Kiril leve à unidade ortodoxa

Propõe que se convoque logo o grande Sínodo

| 1202 visitas

MOSCOU, sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- O patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, deseja que a eleição de Kiril como novo patriarca de Moscou e de Todas as Rússias traga maior unidade e concórdia, concretamente, um passo adiante para a celebração do «grande e santo sínodo», que reúna todas as igrejas ortodoxas.

Assim informou o próprio Bartolomeu I em sua mensagem ao novo patriarca russo por ocasião de sua entronização em Moscou em 1º de fevereiro, e do qual se faz eco o jonal L'Osservatore Romano em sua edição de hoje, assim como a agência Asianews

A mensagem foi entregue ao Patriarca Kirill pelo arcebispo Irineu de Creta, chefe da delegação do patriarcado ecumênico em Moscou. 

«As expectativas da Igreja de Constantinopla são muitas e focalizadas sobretudo na unidade e na concórdia, assim como no caminho comum para a organização e a convocatória do Grande Sínodo, anunciado há muito tempo», afirma a mensagem. 

A celebração do Grande Sínodo «deve acelerar-se para preservar a credibilidade da Igreja Ortodoxa e a cooperação na hora de conduzir os diálogos teológicos com as demais igrejas cristãs», acrescenta o patriarca. 

Outros motivos que fazem necessária a união entre os cristãos ortodoxos são, assegura o patriarca ecumênico, «a solução pacífica de divergências bilaterais e outras questões surgidas no tempo». 

Os cristãos devem enfrentar juntos «os problemas de natureza sócio-econômica que afetam o mundo contemporâneo», assim como os «desafios da bioética». 

Para Bartolomeu I, foi motivo de grande alegria a eleição de Kiril, a quem qualifica como «um homem ativo e criativo. Um homem de provado valor eclesial, caracterizado pela sabedoria e por sua contribuição à unidade dos cristãos». 

Neste sentido, assinala a agência AsiaNews, não foi irrelevante que a cerimônia de entronização de Kiril tenha se caracterizado por dois sinais simbólicos: a exclamação em grego da palavra Axios (digno), segundo o antigo ritual bizantino, e a entrega do báculo pastoral, presenteado no século XIV pelo patriarca ecumênico Athanasios ao então bispo de Moscou, Pedro.

Desacordos

A Igreja Ortodoxa Russa, que nasceu, segundo a tradição, em 988 com a conversão de Vladimir o Grande, dependia inicialmente do patriarcado de Constantinopla, até 1589. Atualmente, é uma das 14 igrejas ortodoxas autocéfalas e a maior em número de fiéis (mais de 80 milhões, dos 200 milhões de ortodoxos que há no mundo). 

O patriarcado de Moscou não reconhece ao patriarca de Constantinopla o papel de primus inter pares (primeiro entre os iguais), que tradicionalmente lhe atribuem outras igrejas ortodoxas, o qual deu pé a desavenças e desencontros históricos. 

O último deles aconteceu em 1996, por ocasião da independência de Estônia, cuja igreja havia pedido entrar sob a jurisdição do patriarcado de Constantinopla, abandonando o de Moscou, algo que o patriarcado de Moscou não reconhece. 

Precisamente esta controversa conduziu a que a Igreja Ortodoxa Russa se retirasse da Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas, em protesto pela participação dos estônios na reunião celebrada em Ravena (Itália) de 8 a 14 de outubro de 2007.