Beato Tiago Alberione

Apóstolo dos meios de comunicação

| 685 visitas

Isabel Orellana Vilches

MADRI, 27 de novembro de 2012 (ZENIT.org) – Contamos hoje a história de um gigante da comunicação católica e da vida religiosa a serviço da modernização da mensagem eclesial por meio das novas tecnologias. Nascido na Itália, o fundador da Família Paulina, beato Tiago Alberione, vê hoje a sua obra estendida pelo mundo todo.

*****

Quem tem sangue de apóstolo perscruta o que o rodeia com olhar penetrante, sempre atento aos sinais de Deus e disposto a orar e agir sem dilação. É o caso de Tiago Alberione. Ele nasceu na localidade italiana de San Lorenzo di Fossano em 4 de abril de 1884. Seus sonhos infantis lhe indicavam o sacerdócio. Com a orientação de um pároco, ele começou os estudos no seminário de Bra em 1896, prosseguindo a formação no seminário de Alba a partir de 1900. A providência pôs em seu caminho o pe. Francisco Chiesa, pessoa que influenciou enormemente a sua vida. Mas, justamente quando o relógio marcava as primeiras horas do ano de 1901, Tiago viveu uma experiência que o marcou para sempre.

Onde os santos encontram as respostas que procuram? Na oração, naturalmente. E naquela madrugada, quando em tantos outros lugares do mundo era celebrada com grandes faustos a chegada do ano novo, o jovem seminarista orava na catedral, prostrado diante do Santíssimo. Em sua mente, os pensares de quem procura a glória de Deus. Ele meditava sobre a encíclica Tametsi Futura Prospicientibus, de Leão XIII, e, em um momento dado, o fulgor que emanava da Sagrada Hóstia o instou a agir. Ele precisava formar-se com toda a urgência para servir à Igreja e à humanidade de um jeito ainda desconhecido para ele, mas que teria uma extraordinária repercussão ao longo do século recém-nascido: a mídia, que em suas mãos se tornaria um instrumento de inegável fecundidade apostólica.

Sete anos mais tarde, foi ordenado padre e começou o ministério pastoral em Narzole e em paróquias vizinhas. Pregava, dava conferências e catequizava. Aproximava-se a hora de pôr em prática a missão que Deus determinara para ele. Nessa época, Tiago conheceu um dos seus mais estreitos colaboradores, José Giaccardo, e enxergou com clareza o importante papel da mulher na evangelização, chegando à certeza de que a estrada que devia seguir para exercer o trabalho apostólico era a dos recursos da comunicação. Sendo professor no seminário de Alba, foi nomeado diretor do semanário Gazzetta d'Alba em 1913. Em 1914, fundou a Sociedade de São Paulo, da qual foi Superior Geral até 1969. Em 1915, junto com Teresa Merlo, criou a Congregação das Filhas de São Paulo. Em 1921, ao ser erigida a Pia Sociedade de São Paulo, alguns dos membros começaram a professar os votos privados. No mesmo ano, pediu a aprovação da pia sociedade como congregação diocesana. Gravemente doente em 1923, e quase desenganado pelos médicos, acabou conseguindo uma recuperação surpreendente, que atribuiu à intercessão de São Paulo.

A obra que Tiago fundou, nutrida com treze revistas que difundiam o evangelho a todas as pessoas, se estendia por grande variedade de lugares. Da fecundidade do beato dão prova as instituições que compõem a Família Paulina, um “conglomerado” apostólico lançado entre 1914 e 1960. Tiago era um homem de oração, com carisma entre os jovens, de fé arrebatadora. Dizia que era preciso «trabalhar com os joelhos». Sua mente, aberta ao infinito, se resumia no «pensar grande» que ele aconselhava aos seus, acrescentando: «Pensar e fazer; não apenas sonhar». 

Jejuava frequentemente e durante vários dias, sem que este esforço o debilitasse. Junto às preocupações próprias da sua missão fundadora, viveu com sofrimento a separação de alguns de seus colaboradores que o precederam na morte. Padecia de uma escoliose que lhe causou muitas dores e que o foi enfraquecendo até o falecimento, em 26 de novembro de 1971. Antes, fora visitado por Paulo VI, que louvou as suas virtudes e a sua grande obra. Foi beatificado por João Paulo II em 27 de abril de 2003.