Bento XVI: anjos, sinal da presença de Deus

Intervenção durante a oração do Ângelus

| 1657 visitas

CIDADE DO VATICANO, domingo, 1º de março de 2009 (ZENIT.org).- Oferecemos a seguir a intervenção do Papa hoje, durante a oração do Ângelus, diante dos milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, no 1º domingo da Quaresma.

***

Queridos irmãos e irmãs:

Hoje é o primeiro domingo da Quaresma, e o Evangelho, com o estilo sóbrio e conciso de São Marcos, introduz-nos no clima deste tempo litúrgico: «O Espírito conduziu Jesus ao deserto e ele permaneceu no deserto durante quarenta dias, sendo tentado por Satanás» (Mc 1, 12). Na Terra Santa, ao oeste do rio Jordão e do oásis de Jericó, encontra-se o deserto da Judeia, que por vales pedregosos, superando um desnível de quase mil metros, sobe a Jerusalém. Depois de ter recebido o batismo de João, Jesus se adentrou naquela solidão levado pelo próprio Espírito Santo, que havia pousado sobre Ele, consagrando-o o revelando-o como Filho de Deus. No deserto, lugar da provação, como mostra a experiência do povo de Israel, aparece com viva dramaticidade a realidade da kenosis, do esvaziamento de Cristo, que se despojou da forma de Deus (cf. Flp 2, 6-7). Ele, que não pecou e não pode pecar, submete-se à prova e por isso pode combater nossa doença (cf. Hb 4, 15). Deixa-se tentar por Satanás, o adversário, que desde o princípio se opôs ao desígnio salvífico de Deus em favor dos homens.

Na brevidade do relato, frente a essa figura escura e tenebrosa que se atreve a tentar o Senhor, aparecem os anjos, figuras luminosas e misteriosas. Os anjos, diz o Evangelho, «serviam» Jesus (Mc 1, 13); são o contraponto de Satanás. «Anjo» quer dizer «enviado». Em todo o Antigo Testamento, encontramos estas figuras que, em nome de Deus, ajudam e guiam os homens. Basta recordar o livro de Tobias, no qual aparece a figura do anjo Rafael, que ajuda o protagonista em tantas vicissitudes. A presença reafirmante do anjo do Senhor acompanha o povo de Israel em todas as suas circunstâncias boas e más. No limiar do Novo Testamento, Gabriel foi enviado a anunciar a Zacarias e a Maria os alegres acontecimentos que estão no começo da nossa salvação; e um anjo, cujo nome não se diz, adverte José, orientando-o naquele momento de insegurança. Um coro de anjos trouxe os pastores a boa notícia do nascimento do Salvador, como também foram os anjos que anunciaram às mulheres a notícia gozosa da sua ressurreição. No final dos tempos, os anjos acompanharão Jesus em sua vinda na glória (cf. Mt 25, 31). Os anjos servem Jesus, que é certamente superior a eles, e esta dignidade sua é aqui, no Evangelho, proclamada de forma clara, ainda que discreta. De fato, ainda na situação de extrema pobreza e humildade, quando é tentado por Satanás, Ele continua sendo o Filho de Deus, o Messias, o Senhor.

Queridos irmãos e irmãs, eliminaríamos uma parte do Evangelho se deixássemos fora esses seres enviados por Deus, que anunciaram sua presença entre nós e que são um sinal dela. Invoquemos os anjos frequentemente, para que nos sustenham no empenho de seguir Jesus até nos identificarmos com Ele. Peçamos, especialmente hoje, que velem sobre mim e sobre os colaboradores da Cúria Romana, que nesta tarde, como cada ano, começaremos a semana de exercícios espirituais. Maria Rainha dos Anjos, rogai por nós.

[Traduzido por Zenit

 © Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]