Bento XVI aos religiosos: sejam “buscadores de Deus”

Audiência no vaticano a superiores e superioras gerais

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ROMA, segunda-feira, 29 de novembro de 2010 (ZENIT.org) – “Passem das coisas secundárias às coisas essenciais, àquilo que é verdadeiramente importante; busquem o definitivo, busquem Deus, mantenham o olhar voltado para Ele. Diante do provisório busquem aquilo que permanece, aquilo que não passa... Sejam sempre apaixonados buscadores e testemunhas de Deus!"

Foi o convite do Papa Bento XVI aos participantes da Assembleia geral semestral da União dos Superiores Gerias (US) e ao Comitê diretivo da União internacional das Superioras gerais (UISG), recebidos em audiência na última sexta-feira.

No discurso de saudação ao Papa, o presidente da USG, Pascual Chávez Villanueva, afirmou que para a vida consagrada este é “um tempo difícil, com um contexto social e cultural que não favorece a estima e a atenção a uma eleição tão bela e comprometida como é a de seguir a Jesus através da prática dos conselhos evangélicos”.

“A vida consagrada está chamada a um esforço por recuperar uma voz própria dentro da sociedade europeia. Não é questão de fascinação, mas de fidelidade”. E isto através de um compromisso triplo: “encontrar novamente a profundidade da experiência espiritual; construir comunidade onde se vive com alegria o dom da fraternidade; recuperar a centralidade da missão e servi-la com mais transparência”.

Bento XVI se referiu ao forte descenso das vocações religiosas, especialmente na Europa.

Como apresentou frei José Rodríguez Carballo, ministro geral da Ordem dos Frades Menores durante a assembleia, entre 1997 e 2005 o número de sacerdotes na Europa passou 64.803 a 59.787; enquanto que as religiosas, de 388.693 a 322.995.

"A profunda renovação da vida consagrada – afirmou – parte da centralidade da Palavra de Deus" ouvida e colocada em prática. “O Evangelho vivido diariamente é o elemento que dá fascínio e beleza à vida consagrada e os apresenta diante do mundo como uma alternativa confiável. A sociedade atual precisa disso, a Igreja espera isto de vocês: ser Evangelho vivo”.

Outro aspecto fundamental da vida consagrada é a fraternidade, "elemento profético importante" no contexto de “uma sociedade fortemente individualista”.

O Papa ressaltou “as dificuldades que a vida comunitária comporta”, convidando a buscarem os meios para “favorecer a comunhão nas relações recíprocas”.

É necessário, também, prosseguiu, “um sério e constante discernimento para reconhecer aquilo que vem do Senhor e aquilo que lhe é contrário”. E continuou: “Sem o discernimento, acompanhado da oração e da reflexão, a vida consagrada corre o perigo de adequar-se aos critérios deste mundo: o individualismo, o consumismo, o materialismo; critérios que prejudicam a fraternidade e fazem perder seu fascínio e penetração à própria vida consagrada”.

“Bento XVI ressaltou que a missão faz parte da própria identidade da vida dos consagrados, que são chamados “a levar o Evangelho a todos: “Podem ir, portanto, e na fidelidade criativa assumam o desafio da nova evangelização. Renovem a presença de vocês nos areópagos de hoje para anunciar, como fez São Paulo em Atenas, o Deus ‘desconhecido’”.