Bento XVI batiza famoso convertido do Islã na Vigília Pascal

Magdi Allam encontrou no catolicismo «a certeza da verdade»

| 1339 visitas

Por Jesús Colina

CIDADE DO VATICANO, domingo, 23 de março de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI batizou sete pessoas na Vigília da noite de Páscoa, cinco mulheres e dois homens de diferentes países, entre eles o famoso jornalista de origem egípcia Magdi Allam, convertido do Islã.

«Sempre de novo nos devemos tornar ‘convertidos’, com toda a vida voltada para o Senhor. E sempre de novo devemos deixar que o nosso coração seja subtraído à força da gravidade, que o puxa para baixo, e levantá-lo interiormente para o alto: para a verdade e o amor», disse o Papa na homilia dirigindo-se a todo batizado.

A Vigília, momento mais importante do ano litúrgico, na qual se revive a ressurreição de Jesus, começou no átrio da Basílica de São Pedro com a bênção do fogo e a iluminação do círio pascal.

Como é tradição, nesta noite o Papa administrou o Batismo e os outros dois sacramentos da iniciação cristã (Confirmação e Comunhão) a adultos de diferentes nacionalidades e condição, que realizaram o necessário caminho de preparação espiritual e catequética, que na tradição cristã se chama «catecumenato».

As sete pessoas que nesta ocasião receberam o Batismo são originárias da Itália, Camarões, China, Estados Unidos e Peru.

Magdi Allam, subdiretor do «Il Corriere della Sera», jornal de maior tiragem na Itália, de 55 anos, que vive no país há 35, recebe proteção policial há cinco anos pelas ameaças recebidas em decorrência de suas críticas ao islamismo radical violento.

Explicando os motivos que levaram o Papa a administrar nesta ocasião o batismo ao jornalista, o Pe. Federico Lombardi S.I., diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, esclareceu que «para a Igreja católica toda pessoa que recebe o Batismo, após uma profunda busca pessoal, uma decisão plenamente livre e uma adequada preparação, tem o direito a recebê-lo».

«O Santo Padre administra o Batismo no decorrer da liturgia pascal aos catecúmenos que lhe foram apresentados, sem fazer ‘acepção de pessoas’, ou seja, considerando a todos igualmente importantes diante do amor de Deus e bem-vindos à comunidade da Igreja», acrescentou o porta-voz vaticano.

Em uma carta escrita este domingo no «Il Corriere della Sera», Allam, que como batizado recebeu o nome de «Cristiano», explica que em sua conversão desempenhou um papel decisivo os testemunhos de católicos que «pouco a pouco se converteram em ponto de referência no âmbito da certeza da verdade e da solidez dos valores».

Entre eles cita o presidente do movimento eclesial Comunhão e Libertação, Pe. Julián Carrón; ao reitor-mor dos salesianos, Pe. Pascual Chávez Villanueva; o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado; e o bispo Rino Fisichella, reitor da Pontifícia Universidade Lateranense, que lhe «acompanhou pessoalmente no caminho espiritual de aceitação da fé cristã».

Mas reconhece que, talvez, o papel mais decisivo tenha desempenhado Bento XVI, «a quem admirou e defendeu como muçulmano por sua maestria para criar o laço indissolúvel entre fé e razão como fundamento da autêntica religião e da civilização humana, ao qual me assomo plenamente como cristão para inspirar-me com nova luz no cumprimento da missão que Deus me reservou».

«Para mim é o dia mais belo de minha vida», reconhece.

Em sua homilia, o Papa explicou que a conversão não é somente a decisão de um dia, mas uma atitude de fundo que deve se realizar diariamente.

A conversão, esclareceu, consiste em «voltar a nossa alma para Jesus Cristo e, n’Ele, para o Deus vivo, para a luz verdadeira».

É levantar o coração «fora de todos os enredos das nossas preocupações, dos nossos desejos, das nossas angústias, do nosso alheamento».

Converter-se, acrescentou, significa que «sempre de novo nos devemos afastar das direcções erradas, em que tão frequentemente nos movemos com o nosso pensar e agir».

O Santo Padre concluiu sua meditação com esta oração: «Sim, Senhor, fazei que nos tornemos pessoas pascais, homens e mulheres da luz, repletos do fogo do teu amor».