Bento XVI celebra aniversário do cardeal Špidlík

Elogia sua contribuição na síntese teológica entre o Oriente e o Ocidente

| 1266 visitas

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 17 de dezembro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI quis reconhecer hoje a contribuição do cardeal jesuíta Tomáš Špidlík no diálogo teológico entre o Oriente e o Ocidente cristãos, presidindo nesta manhã uma Eucaristia por ocasião dos seus 90 anos de vida, na capela Redemptoris Mater do Palácio Apostólico Vaticano.

O cardeal Špidlík, originário da República Tcheca (Boskovice, 1919),é um grande especialista em teologia e espiritualidade orientais e fundador do Centro Aletti, que depende do pontifício instituto oriental.

Precisamente a capela Redemptoris Mater, obra de Marko Ivan Rupnik, sacerdote do centro Aletti, foi construída sob a sua supervisão, e nela se quis mostrar uma síntese artístico-teológica da espiritualidade cristã oriental e ocidental.

O Papa sublinhou, neste sentido, a importante contribuição do cardeal Špidlík, “tecendo, através dos anos, uma visão teológica vivaz e em muitos aspectos original, na qual confluem organicamente o Oriente e o Ocidente cristãos, compartilhando reciprocamente seus dons”.

“Seu fundamento é a vida no Espírito; o princípio do conhecimento: o amor; o estudo: uma iniciação à memória espiritual; o diálogo com o homem concreto: um critério indispensável; e seu contexto: o corpo sempre vivo de Cristo, que é a sua Igreja.”

“Intimamente ligada a esta visão teológica está o exercício da paternidade espiritual, que o cardeal Špidlík desenvolveu constantemente e continua desenvolvendo”, acrescentou o Papa.

O Papa sublinhou a obra levada a cabo pelo centro Aletti, fundado por ele, “que pretende recolher seu precioso ensinamento, fazendo-o frutificar com novas intuições e novas pesquisas, também através da sua representação artística”.

“Neste contexto, parece-me particularmente belo sublinhar o vínculo entre teologia e arte, que brota do seu pensamento”, acrescentou.

O cardeal Špidlík “percorreu um rico itinerário de pensamento, comunicando sempre com ardor e profunda convicção que o centro de toda a Revelação é um Deus tripessoal e que, por conseguinte, o homem criado à sua imagem é essencialmente um mistério de liberdade e amor, que se realiza na comunhão: a mesma forma de ser de Deus”.

“Esta comunhão não existe por si mesma, mas procede – como não se cansa de afirmar o Oriente cristão – das Pessoas divinas que livremente se amam”, explicou o Papa.

“A liberdade e o amor, elementos constitutivos da pessoa, não são apreensíveis por meio das categorias racionais, razão pela qual não se pode compreender a pessoa fora do mistério de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e na comunhão com Ele, que se converte em acolhida da divino-humanidade também em nossa existência.”