Bento XVI: como escutar voz do Senhor e reconhecê-lo

Intervenção durante o “Regina Caeli” de hoje

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CIDADE DO VATICANO, domingo, 25 de abril de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos, a seguir, as palavras pronunciadas pelo Papa Bento XVI hoje, antes da oração do Regina Caeli, aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

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Queridos irmãos e irmãs:

Neste 4º Domingo da Páscoa, chamado "do Bom Pastor", celebra-se o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que este ano tem como tema "O testemunho suscita vocações", o qual está estreitamente unido à vida e à missão dos sacerdotes e dos consagrados (cf. Mensagem para o 47º Dia Mundial de Oração pelas Vocações).

A primeira forma de testemunho que suscita vocações é a oração, como nos mostra o exemplo de Santa Mônica, que, suplicando a Deus com humildade e insistência, obtém a graça de ver seu filho Agostinho tornar-se cristão; ele escreve: "Sem dúvida, creio e afirmo que, por suas orações, Deus me concedeu a intenção de não antepor, não querer, não pensar, não amar outra coisa a não ser a realização da verdade" (De Ordine II, 20, 52, CCL 29, 136).

Portanto, convido os pais a rezarem, para que o coração dos seus filhos se abra à escuta do Bom Pastor e até "o mais pequenino gérmen de vocação (...) faça com que se torne uma árvore frondosa, carregada de frutos para o bem da Igreja e de toda a humanidade" (ibid.).

Como podemos escutar a voz do Senhor e reconhecê-lo? Na pregação dos Apóstolos e dos seus sucessores: nela ressoa a voz de Cristo, que convida à comunhão com Deus e à plenitude de vida, como lemos hoje o Evangelho de São João: "As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão" (Jo 10, 27-28). Somente o Bom Pastor protege com imensa ternura seu rebanho e o defende do mal, e só n'Ele os fiéis podem depositar absoluta confiança.

Neste dia especial de oração pelas vocações, exorto em particular os ministros ordenados para que, estimulados pelo Ano Sacerdotal, sintam-se comprometidos "com um mais intenso e incisivo testemunho evangélico no mundo de hoje" (Carta de proclamação).

Recordem que o sacerdote "continua na terra a obra da Redenção"; saibam "de bom grado deter-se diante do sacrário"; adiram "totalmente à sua vocação e missão mediante uma severa ascese"; tornem-se disponíveis à escuta e ao perdão; formem de maneira cristã o povo confiado a eles; cultivem cuidadosamente a fraternidade sacerdotal (cf. ibid).

Sigam o exemplo de sábios e diligentes pastores, como fez São Gregório Nazianzeno, quem escrevia dessa maneira ao amigo fraterno e bispo São Basílio: "Mostra teu amor pelas ovelhas, tua solicitude e tua capacidade de compreensão, tua vigilância (...), a severidade na doçura, a serenidade e a mansidão na atividade, (...) as lutas na defesa do rebanho, as vitórias (...) alcançadas em Cristo" (Oratio IX, 5, PG 35, 825ab).

Agradeço a todos os presentes e a todos os que, com a oração e o afeto, sustentam meu ministério de Sucessor de Pedro; e sobre cada um invoco a celeste proteção da Virgem Maria, a quem nos dirigimos agora em oração.

[O Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]

Dirijo agora a minha saudação amiga aos professores e alunos do Colégio de São Tomás, de Lisboa, e demais peregrinos de língua portuguesa: de visita a Roma, não quisestes faltar a este encontro com o Papa, que a todos encoraja na nobre missão de dar razões de vida e de esperança às novas gerações para uma sociedade mais humana e solidária. Sobre vós, vossas famílias e os sonhos de bem que abrigais no coração, desça a minha bênção apostólica.

[Tradução: Aline Banchieri.

© Libreria Editrice Vaticana]