Bento XVI: Igreja deve recuperar sua própria tradição musical

Papa festeja os 100 anos do Pontifício Instituto de Música Sacra

| 1864 visitas

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 1º de junho de 2011 (ZENIT.org) - Por ocasião das celebrações do centenário de fundação do Pontifício Instituto de Música Sacra, Bento XVI enviou uma carta ao grão-chanceler do Instituto, cardeal Zenon Grocholewski, que a leu no último dia 26, na abertura do congresso internacional de música, que se estendeu até esta quarta-feira.

O Instituto, explicou o Papa, depende da Santa Sé e "faz parte da singular realidade acadêmica constituída pelas universidades pontifícias romanas", ao ser relacionado de maneira especial ao Ateneu Santo Anselmo e à Ordem Beneditina.

Para captar claramente a identidade e a missão, observou, "é oportuno recordar que o Papa São Pio X o fundou oito anos depois de ter emanado o Motu proprio "Tra le sollecitudini", de 22 de novembro de 1903, com o qual levou a cabo uma profunda reforma no campo da música sacra, voltando à grande tradição da Igreja contra as influências exercidas pela música profana, especialmente operística".

Esta intervenção magisterial "precisava, para a sua realização na Igreja universal, de um centro de estudo e ensino que pudesse transmitir de modo fiel e qualificado as linhas indicadas pelo Sumo Pontífice, segundo a autêntica e gloriosa tradição que remonta a São Gregório Magno".

Nos últimos 100 anos, o Instituto "assimilou, elaborou e transmitiu os conteúdos doutrinais e pastorais dos documentos pontifícios, como também do Concílio Vaticano II, concernentes à música sacra, para que possam iluminar e guiar a obra dos compositores, dos maestros de capela, dos liturgias, dos músicos e de todos os formadores neste campo".

Continuidade

O Pontífice, portanto, quis sublinhar "um aspecto fundamental, que lhe é muito querido": como, desde São Pio X até hoje, "apesar da natural evolução, a substancial continuidade do Magistério sobre a música sacra na liturgia".

Em particular, observou, Paulo VI e João Paulo II, à luz da constituição conciliar "Sacrosanctum Concilium", quiseram reafirmar o fim da música sacra, isto é, "a glória de Deus e a santificação dos fiéis", e os critérios fundamentais da tradição.

Entre estes, o Papa recordou "o sentido da oração, da dignidade e da beleza; a plena adesão aos textos e aos gestos litúrgicos; o envolvimento da assembleia e, finalmente, a legítima adaptação à cultura local, conservando ao mesmo tempo a universalidade da linguagem; a primazia do canto gregoriano, como modelo supremo de música sacra, e a sábia valorização das demais formas expressivas que fazem parte do patrimônio histórico-litúrgico da Igreja, especialmente (mas não só) da polifonia; a importância da "sachola cantorum", em particular nas igrejas catedrais".

"Sobre a base destes sólidos e seguros elementos, aos quais se acrescenta uma experiência já secular, eu vos convido a levar adiante, com renovado ímpeto e compromisso, vosso serviço na formação profissional dos estudantes, para que adquiram uma séria e profunda competência nas diversas disciplinas da música sacra", concluiu.